Pseudo-blogueira.


Raíssa Tayná Klasman. 22 anos, 9º semestre de Arquitetura e Urbanismo, Paraná. Bibliófila, hidrofóbica, nictófila, pseudo contista/cronista/poetisa. Profunda admiradora do Sagrado e do Universo. Possuo crenças que somente me cabem, aquele quê de certeza que algo existe, mesmo sem querer denominar ou limitá-lo a uma imagem/doutrina. Eterna caçadora dos tesouros escondidos nas páginas dos livros, por crer que eles agregam mais a vida do que certas atitudes que se costuma tomar. Viciada em sorrisos e apaixonada por abraços que calam palavras e fazem cessar as lágrimas. Geminiana com ascendente em Sagitário, por mais que isso não faça diferença alguma. Blogando desde Setembro de 2010.

Por vezes, eu tinha plena consciência de que, no mundo, não poderia haver alguém mais paradoxal, mais antítese do que eu. Acredito que tudo isso se deva a minha infância e adolescência, onde tudo virava palavra, onde cada sonho virava conto, onde cada desejo virava um enredo. Não há alguém em específico para culpar. Pode ter sido minha mãe, que me alimentava em todos os sentidos, tanto real quanto imaginário, dando base literária para os meus mais absurdos devaneios, incentivando-me quando meus primeiros sonetos começaram a surgir. Posso, também, culpar meu pai por isso. Sua ausência gerara em mim certo tipo de revolta. Não aquele tipo que faz a gente querer fugir de casa, nada disso, mas aquele tipo que faz você abrir os olhos, enxergar em volta e ter um insight, notar que família não é composta por pai, mãe e você, variando, em situações, para determinado número de irmãos e animais de estimação agregados, mas sim que família, além de laços sanguíneos, necessita de laços cotidianos, de convivência. Eu culparia minha avó de forma tão grande e linda quanto culpo minha mãe. Matriarca, alimentou meus sonhos e me deu mimo, carinho, atenção como só boas avós sabem fazer. Soube alimentar minha ilusão, fazer crescer minha imaginação, nascer em mim afeto. Agradeço aos três, mas principalmente a elas, por terem me feito essa garota iludida – no melhor dos sentidos -, criativa e apaixonada pelos estudos e pela vida, no seu mais amplo significado.
Sempre que me refiro a todo esse mistério completo que é a vida, entrelaçando os fatos e relacionando-os a mim, assombro-me. Não é como se eu tivesse vivido muito ou que eu saiba muito da vida, mas, de alguma forma que provavelmente nunca poderei compreender, ela se fez doce pra mim mesmo nos momentos onde tudo tendia a ser amargo. O Universo sempre manteve a poesia viva dentro de mim, adormecida sim, mas, ao menos, me forço a acreditar, nunca morta. Eu não sei nomear as coisas, como vocês poderão notar nas próximas orações, mas eu espero que vocês, com alma poética que também tem, possam compreender-me e decifrar-me, coisa que eu, com todos os anos já vividos, não consegui fazer.
Não há muito que ser dito, imagino, mas eu gostaria de contar estórias, trazer sentimentos à tona e lágrimas ao precipício dos olhos. Provocar emoções não é exatamente o que muitos chamariam de profissão, mas é o que tenho como lema na vida e é isso que terei de fazer, antes que pereça, Sei que muitos, ao saber desse desejo por meios não convencionais (e por isso compreenda-se, invadindo uma dimensão que é toda minha e lendo a minha mente, ora essa) devem achar-me uma tola, mas o que é que há de tão errado em querer fazer as pessoas sentirem-se compreendidas? Digam-me, em uníssono, há algo de mais belo do que poder fazer pessoas tocarem na consciência, fazê-las refletir? Certa vez, ao apresentar um trabalho de filosofia, no colegial, consegui fazer pessoas aparentemente fúteis chegarem a reflexões de um nível absolutamente diferente do normal a que estavam habituadas. Ao realizar este feito, senti-me exultante, por ter podido influenciar no crescimento espiritual, diria eu, aplicando na determinada situação, de uma pessoa que não tinha um horizonte reflexivo.
Gosto de pensar em mim como sendo uma onda. Aliás, sendo bem sincera com essas páginas que agora escrevo, confesso nunca ter pensando em mim nessa posição, mas é uma analogia que muito se encaixa comigo. Imagine uma onda e procure pensar em todas as características que podemos atribuir a ela. Uma onda bate na praia com uma força bruta, como se quisesse destruir o que lhe impede de seguir em frente. Ao mesmo tempo em que se revolta, cede à água e aceita seu destino. Aqui, aceitar não pode ser sinônimo de conformar-se, uma vez que, quando aplicada a mim, tal sinônimo não faria sentido real. Uma onda ergue-se no meio do mar, sem temer tudo o que há ao seu redor. Ela sabe, mesmo irracionalmente, que está no lugar certo, por mais que a densidade da água ao seu redor seja maior ao ponto de “sufocá-la”, ela entende que é ali que deve surgir, ali é que deve nascer. Nascer para morrer, como disse Lana Del Rey. Uma onda nasce, no seu sentido mais metafórico, com a certeza única de que irá morrer. Ela não sabe a direção que tomará, não sabe a força que terá e nem os obstáculos que encontrará no caminho, mas ainda assim, é impulsionada, impelida a ir em frente e a quebrar, por mais que essa não seja a sua vontade.
E assim somos nós também, impelidos a seguir em frente, a escolher destinos e estradas que percorreremos, muitas vezes sem nem mesmo ter alguém ao nosso lado. Temos que estar cientes a partir do momento que colocamos nossos pés no caminho por nós escolhido, que o regresso é muito mais difícil do que a partida. Quando se sai de um ponto qualquer, há na mente um pensamento de novidade, mas quando o regresso é imposto por forças maiores que nós, em sua maioria, o gosto que sentimos é amargo, é pouco – ou quase nada – saboroso.
Há momentos em que o regresso é desejado por nós, mas levando por base os que fiz, a balança pesa, em déficit, para as alegrias por eles trazidas. Não que haja uma fórmula geral e que isso se aplique a todos de forma igual, mas acredito que se levarmos em conta todas as vezes que precisamos voltar atrás, não há muitas coisas boas que possamos listar. Ao contrário disso. Vejo por mim. Sou altamente impulsiva, ajo com muita irresponsabilidade por vezes, e culpo minha impulsividade por isso. Faço coisas que, nesse momento são minha maior necessidade, mas que daqui há alguns instantes serão meus maiores arrependimentos. E nessa de correr atrás, regredir, só quebro a cara e junto dela, o coração. Sinto o que já não devia mais sentir, faço o que já não mais deveria fazer, digo o que já não mais deveria dizer.
Mas e quando vejo, já repenso. Deveria ter feito, ter dito, ter realizado. Porque se não fizesse naquela hora, faria depois, por qualquer motivo mais bobo do que o do primeiro momento. Não adianta, atitude é igual amor: Se você tiver que pensar duas vezes, já não é mais algo verdadeiro, algo válido. Podem até dizer que é normal pensar antes de falar, refletir antes de agir, mas quando faço isso – vejo por mim, pelo menos – quase nunca me torno sincera nas atitudes, e por isso, a impulsividade me domina. Há em mim um desejo de sempre ser honesta, tanto comigo quanto com o resto do mundo. Não é clichê ou mesmo achismo, é só uma real necessidade que tenho... uma característica toda a minha e que julgo ser muito positiva.
Seria injusto da minha parte, também, dizer que sempre ajo de forma impulsiva, mas é necessário ressaltar que, em sua maioria, por mais que reflita semanas, a atitude que tomo é a primeira que havia cogitado, as palavras que digo, são as primeiras que havia mentalmente escrito. Quando não acontece isso – e os casos são bem raros – sinto que fui desonesta com as pessoas e comigo mesma. Podem dizer que é muita exigência da minha parte para comigo, mas cada um escolhe o modo como vai ver a vida, certo? Eu escolhi agir dessa forma, e, na maioria das vezes, não me arrependi da escolha.
E essa, acho eu, é apenas uma das minhas particularidades.

(Devaneios autobiográficos, Novembro de 2012)


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