terça-feira, fevereiro 11, 2020

Sobre o por quê eu gosto de você

Eu gosto de você
inteiro 
Da ponta dos pés
a raiz dos cabelos

Eu gosto de você
pela metade
Quando voce acha
que se perdeu e 
caiu. 
Novamente. 
Mas, enfim,
serviu pra te fazer 
ver
que tu tem mais 
bem aí dentro de ti. 

Eu gosto de você 
assim
porque é quando 
vejo você crescer
internamente 
e amadurecer.

Eu gosto de você 
renascendo.
Buscando novos porquês
e se enchendo de vida

Eu gosto de você 
até quando tu 
não merece. 
Gosto porque fujo
do meu padrão 
e fico vulnerável. 

Eu gosto de você 
me falando 
que teu amor queima.
Quando nem você sabe
de fato
se queimar é bom.
Mas te ensinaram 
a amar assim. 
E agora
é como você ama.

Eu gosto de você 
porque a minha 
zona de conforto
vem abaixo
quando tu chega.

Tu desfaz meus por quês.
E me dá novas coisas
pra amar e pensar.

Eu sinto que
eu gosto de você 
mais do que devia
e exatamente quando
não poderia. 

Mas gosto. 
E fim. 

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Sobre os Grandes Sertões de nossos dias


Guimarães Rosa dizia que "o correr da vida embrulha tudo"... faz um fuzuê dentro do peito, mexe nos caminhos que tínhamos planejado seguir. E o que era pra ser pra sempre torna-se um breve instante. Uma efêmera conjugação verbal... um mero ser agora, nesse exato momento: é absolutamente tudo o que temos. E mesmo contra nossos impulsos "esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta" numa constante não linear que só o Acaso sabe definir. Uma progressão matemática cujo fator desconhecemos. E pra quê saber? Tem graça saber? Se a graça está em dar o passo pra depois ver o chão. Ousar!
Porquê "o que ela quer da gente é coragem", a vida quer o esforço, quer o suor no trabalho, quer o suspiro da audácia. Sem coragem, somos verbos sem ação. Verbos mortos... e o Verbo não pode morrer. Ir é simples... "eu vou!" é o pulo. Se pôr em movimento faz crescer.
Pra que na busca, sejamos felizes... "ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria", ser abundante, transbordar e criar memórias que nos façam gargalhar ao recordar "e ainda mais alegre na tristeza" para ter certeza de que isso também vai passar. Porque na efemeridade do que somos, nossos sentimentos são passageiros: mesmo nossas mais intensas alegrias passarão.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Se eu te dou um beijo?

Eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. 
Te dou meu mau humor matinal, meu excesso de sono e minha bipolaridade habitual. Tu faz o que quiser com isso. 
Te dou também meu mais belo verso, o melhor poema que eu puder compôr, a mais farta mesa que eu puder servir, o café mais gostoso que eu puder preparar. 
Te dou o cafuné mais demorado que tu quiser, a massagem mais relaxante que tu precisar e o colo naquele dia difícil que tu passar. 
É teu todo o meu respeito e a minha lealdade. 
Não me faço rogada do seu lado. É teu meu desejo mais quente, meu sonho mais vivaz e minha fantasia mais ousada. 
Se torna tua também minha admiração constante, minhas orações e todo meu bem-querer. 
Não minto que me amedronta tamanha entrega, mas guardar o coração nunca foi do meu feitio. 
Mergulha, que eu sou tua. 
Faz do meu peito o teu descanso, me toma como teu porto seguro, faz de mim tua morada. Vive comigo, de mim, por mim. Te inspira nos filmes bobos que gostamos e faz o dia ser leve, leva nosso amor pra qualquer lugar... Viaja comigo e em mim. Em cada curva uma nova nuance a ser descoberta, de ti e de mim. De nós. E que em nós nunca faltem laços para unir. 
Vem viver comigo que eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. Vem viver comigo que eu te carrego na alma pelo resto dos meus dias e não haverá um dia sequer que tua boca não vai cantar que é tempo de a gente se amar. 

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sobre ser amor

Muita gente fala em amar. 
Rabisca canções de amor, poesias, sonetos. 

Muita gente fala em amar. 
Compartilha frases bonitas, distribui amor em publicações, fala "i love you" até para os postes das ruas. 

Muita gente fala em amar. 
Posta foto com legenda bonita, posa ao lado dx namoradx e tem centenas de amizades. 

Pouca gente fala de amor. 
Amor no simples ato de ser: de estar disponível e presente para uma conversa, um conselho, um bom papo ou ser um ombro amigo. 

terça-feira, maio 14, 2019

Sobre o frio que aquece o meu coração



Acho hilário como a minha inspiração para escrita e o clima são inversamente proporcionais. Quanto mais frio, mais me inspiro. 
Eu vivi bons momentos em dias frios, acredito que devo atribuir a isso o quão geladas são as minhas inspirações. Vivi vários romances em momentos outonais e invernais. Os outonais foram os meus favoritos, devo confessar. E isso não é nada novidade pra quem me lê há algum tempo ou conhece a fundo minha não tão complicada forma dever o mundo. 
Eu sou romântica. Lamento! Algo brotou em mim quando ainda muito nova... Uma motivação - quase que um desejo fortuito - de viver momentos românticos (e por românticos leia-se: clichês). Eu nunca fui de contos de fadas... nunca gostei de Cinderela, Branca de Neve, e afins... Não. Me formei em romantismo clichê lendo Nicholas Sparks e assistindo Sessão da Tarde durante incrivelmente longas férias de verão nos anos 2000. 
Eu criei em mim um "tipo". De que muitas vezes, o cara certo surge no momento errado ou da maneira errada, sem parecer certo logo de cara! Afinal, não estava habituada a príncipes encantados (mesmo que O Diário da Princesa com Anne Hathaway tenha me mostrado que eles podem sim ser reais, rs), eu estava habituada a aqueles caras que fazem tudo errado mas no fim, conquistam a garota, como em 10 coisas que eu odeio em você. 
Aconteceu, simplesmente, que eu passei a não procurar o correto... Meu "tipo" eram os caras errados. Aqueles que eu poderia "consertar". Como se do meu amor pudesse nascer um grande milagre... Então, já um pouco mais ciente do mundo real e desgarrada de literatura água com açúcar, hoje vejo. 
O milagre é nascer o amor. Encontrar quem possa multiplicar esse amor. Alguém que me honre tanto a ponto de que eu não morra de vergonha em andar por aí de mãos dadas (sim, isso é um bloqueio). Alguém que sussurre idiotices no meu ouvido enquanto estamos no meio de várias outras pessoas, apenas para que eu ria... Deixando todos os outros sem jeito. Alguém que não se importe em dividir o pequeno espaço da minha cama de solteiro - vulgo "meu pequeno paraíso". Alguém que me veja com o pijama engraçado do Garfield e não julgue, muito pelo contrário, traga as suas camisetas engraçadas pra dividir o espaço nas minhas gavetas. Eu preciso de alguém real! Alguém que me auxilie a resolver algumas melequinhas que ainda nadam na minha psiquê, que me apoie a curar alguns dos meus traumas e me leve a imensas crises de riso (e, claro, não se importe com o barulho de porquinho que eu faço quando tenho uma crise de riso... E, aliás, que essa peculiaridade lhe faça rir ainda mais insanamente). Alguém tão real que precise de colo, conselho e apoio... Porquê eu não quero ter que ajudar ninguém, mas estarei ali inteira para apoiar toda e qualquer decisão. 
Eu cansei de ser sozinha... Sempre prezei o ser "una", mas faz tempo que a solidão me emplacou, arrancou o "contente" dos meus versos e me trouxe para lugares sombrios que eu jamais imaginei vivenciar. 
Foram dias difíceis.... Dias em que aprendi a valorizar os poucos sorrisos que pude ter; momentos de tanto êxtase que me levavam a poços profundos de insatisfação; uma ridícula vontade de viver uma realidade alternativa, só pra ter um escape dos meus dias. 
Acho que posso considerar toda essa sensação como passado. Somos feitos de decisões, e já há algumas semanas eu decidi ser melhor. Me machucar menos, me julgar menos, parar de me ignorar... 
Esse inverno que vem chegando, traz meu romantismo de volta, a minha nostalgia de tanto já vivido em momentos de frio como dos dias que se aproximam. A vida foi, de fato, muito intensa nos poucos amores que pude vivenciar. E eles me ensinaram muito sobre o que pedir e o que aceitar. Eu chorei muitas vezes por constatar que não era querida naquele lugar, mas tive suficiente amor para transformar minhas lágrimas em saída, em fim, enfim. E finalmente, pude enxergar o que mereço, e hoje sou muito mais criteriosa sobre o que eu aceito e muito mais flexível no que pedir. 
Eu olho para o céu todos os fins de tarde e observo o suave azul se tornar salmão, laranja vibrante e esmaecer em tons de rosa... E me imagino em um lugar bem distante daqui, admirando teu rosto no entardecer, as horas douradas ressaltando as feições suaves do teu rosto, trazendo tão grande paz pro meu coração. Completa. Plena. Puramente, acompanhada. 
Pra não sentir mais falta de caminhar ao lado de alguém, pra não ter a audácia de sonhar sozinha, pra ter minhas sementes crescendo ali por perto, correndo e vivenciando o que de melhor pudermos proporcionar. 

sábado, agosto 04, 2018

Sobre a falta que faz.

A temperatura lá fora é de 13ºC. Aqui dentro do quarto, o aquecedor faz barulho quase ronronando. É madrugada, como sempre quando me surgem às palavras...
Porém, dentro de mim, sinto frio. Sinto falta. Sinto ausência. 
É tanta coisa que não se faz presente... Falta paz, falta carinho, falta atenção, falta afeto, falta alguém que desperte tesão e me faça sorrir largamente pro mundo, mais uma vez.
Falta alguém que faça o tempo ser meramente um número, que me diga que não importa a hora, que desfaça o clima emburrado que se vê fora dessas paredes, que torne o vento uma carícia, que me eleve e faça ser sublime cada momento compartilhado. 
Falta sentimento que seja recíproco, plano que seja compartilhado, sorriso que seja multiplicado, abraço apertado, beijo molhado, carinho não contido. 
Falta paz, falta alguém que cale qualquer dúvida que eu venha a ter sobre mim, minha sanidade, meus credos, meu corpo, meus limites e minhas extravagâncias. 
Falta alguém que desnude a minha alma, e não apenas meu corpo. Buscando mais do que uma noite de calor, mas alguém que queira dividir ansiedades e medos. Falta alguém que, para além da minha roupa, queira arrancar gargalhadas, daquelas de dor a barriga de tanto rir... 
Falta tanta coisa... Falta tanto. 
Faz falta. 
Faz falta ter alguém que esteja presente em pequenos momentos, pequenas conquistas. Faz falta ter para quem mandar aquela frase romântica que encontro nos poucos livros que ando lendo. Faz falta ter para quem mandar aquela música incrível que o Spotify me apresentou. 
Faz falta ter com quem compartilhar histórias engraçadas, de rir das noitadas que a vizinha tem. 
Faz falta ter com quem implicar porque o cabelo está muito comprido ou desgrenhado, porque a barba está precisando ser aparada, ou a unha precisando ser cortada. 
Faz falta cuidar de alguém, ter com quem se importar.... Aquele "tá tudo bem com você?" logo cedo... E poder responder que só um abraço curaria essa tristeza. 
Faz falta ser mulher ao lado de alguém, ser desejada, querida, ser de alguém. 
Faz falta... E ainda há de fazer por um tempo. 
Porquê antes de tudo, é preciso aprender a não sentir tanta falta de uma segunda pessoa, e aprender a suprir a própria ausência. Se amar. Ser una. 
Ser menina, ser moça e ser mulher. Saber ser! Ser boa para si para saber ser boa para alguém e parar de machucar os corações alheios. 

quinta-feira, julho 19, 2018

Sobre os imprevistos no amar

Queria tanto poder chegar aqui e escrever um conto enorme sobre como o amor é incrível, sobre como as pessoas se reencontram em seus amados, sobre como é divertido conquistar e cuidar de alguém para que permaneça ao seu lado... 
Mas, ultimamente, não tenho tido tais experiências. 
Venho aqui recordando, saudosamente, os meados de 2013 e 2014, onde de tanto amar ou de tanto querer amar, eu transbordava boas palavras que se transcreviam em histórias incríveis. 
Hoje, eu chego aqui com mais desejos, mais anseios... e não sei até que ponto isso é bom. 
Criei algumas expectativas e idealizações no que diz respeito ao "amar" e não me vejo mais agindo da forma como fazia há 4 anos atrás... Não me vejo correndo atrás de qualquer fiapo de afeto. Isso é bom? Pode-se considerar que sim. Aprendi a valorizar o meu amor e o meu amado, de certo modo. Aprendi que toda essa intensidade que eu tenho o prazer de viver, que esse sentimentalismo clichê que me habita, não deve ser destinado a qualquer um. Mas, o tão esperado "um" hesita em dar as caras. 
No início do outono aqui no hemisfério sul, pensei ter sido agraciada por alguém que poderia me acompanhar numa jornada incrível e acabei descobrindo nele apenas um reflexo das minhas piores partes. Alguém que ilude, que demonstra conhecimento para despertar inveja, alguém que estende a mão e a retira tão rápido quanto decidiu oferecê-la, alguém que encanta por prazer e não por gentileza, alguém que me fez querer e depois fugiu. 
Vejo isso de uma forma muito crua, agora... quiçá nua. Num pleno ato de despir minha alma de todos os meus pudores, bater no peito e assumir todas as minhas fraquezas: eu sou uma babaca. 
Babaca no nível de desperdiçar afeto e carinho de quem realmente quis me dedicar tais bons sentimentos. Babaca no nível de acreditar que era superior ao que queriam me oferecer. Babaca no nível de só perceber toda essa confusão agora, depois de sonhar com o bendito que me fez sentir pterodáctilos do estômago para depois extingui-los tão breve quanto nasceram. 
Talvez, esta seja a mais pura definição e aplicação do nosso tão conhecido Karma e que eu precise vivenciar disso para aprender mais sobre como amar e ser amada. Talvez seja só o destino me mostrando que eu não preciso de babacas assim vivendo perto de mim. 
E, seria muito mais plausível, que fosse só a minha carência falando mais alto e me mostrando o quanto eu preciso, urgentemente, de um amor pra chamar de meu.