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quinta-feira, julho 15, 2021

Terceira pessoa do plural (06.07)

Não racionalizando,
te encontro
num ponto
comum.
 
Onde eu e você
podemos sonhar
em ser apenas
um.
 
E sendo apenas um,
construímos
aquilo que paira
nos seus sonhos.
 
(Que agora também são meus)
 
Seus sonhos,
seus desejos,
seus prazeres,
seu futuro.
 
Meus sonhos,
meus desejos,
meus prazeres,
meu futuro.
 
De primeira
e segunda pessoa,
enquanto singulares.
 
Mas se um dia
assim for por bem
que venham eles...
E nosso sonho plural
assim se concretize.

sexta-feira, abril 10, 2020

Sobre a matéria das nossas almas

"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais." (Emily Brontë, em 'O morro dos ventos uivantes')
É mais fácil ignorar a escuridão, do que abraça-la.  E eu confesso não ser tão corajosa. 
É mais fácil não pensar na tristeza, do que encarar o que entristece. Olhar a dor nos olhos. 
É mais fácil fingir plenitude, e ignorar toda a sensação de fracasso que brota do peito aos borbotões. 
Eu ignorei teu amor por anos, por sentir que tua dor era grande demais pra mim. Que teu fardo era pesado demais pra eu encarar. Que tuas feridas eram profundas demais pra mim. Eu ignorei as mesmas coisas em mim... minha dor, meu fardo, minhas feridas. 
Eu ignorei que sofri por anos e não olhei com carinho para essa dor. Eu senti uma insatisfação por todas essas centenas de dias que se passaram e não soube definir em que grau de frustração eles se encaixavam. Por não viver a vida que eu sonhei e mereci. Por não ter sido quem eu queria ser. Por ter me permitido acovardar em frente à todas as grandes mudanças que poderiam ter acontecido na minha vida. 
Eu queria ter podido ser transparente como tu és. Ter lidado com os meus lutos com coragem e ousadia, ao invés de guardar cada pequena porção de escuridão em minúsculas gavetas dentro do peito. 
Eu usei palavras boas e suaves em muitos momentos, quase que pra me fazer acreditar naquilo. Num positivismo tosco que Comte riria até que o ar lhe faltasse. Eu disfarcei minha raiva, e nas vezes que lhe permiti vazão, machuquei quem não merecia. Quando me calei, consenti para que fosse feito o que quisessem da minha vida. Eu me deixei ir por caminhos bem mais tortuosos do que deveria ter trilhado. E eu senti a dor disso tudo... no peito, calada, chorando com o rosto afundado no travesseiro em mais noites do que sou capaz de lembrar. 
Eu nunca soube como era o jeito certo de exteriorizar essa dor.
Até você aparecer e me mostrar, através da sua dor, que não é preciso guardar pra si. E, tentando curar a tua dor, eu encarei a minha. E busquei a minha cura. Olhei pra minha alma e vi pó de estrela. Vi brilho... Vi que a dor havia mantido isso intacto, a despeito da destruição. 
Eu olhei os meus anseios um a um. Percebi que o que esteve no passado, necessita ficar por lá. Que na dor, só se mexe para curar. 

terça-feira, março 24, 2020

Sobre como eu escolhi viver o amor

Eu vivi pulando de ilusão em ilusão, indo de um perfil de amor para outro, a procura de algo que eu nunca soube o que era. 
Eu sentia um vazio, uma necessidade de presença que eu nem permitia que fosse satisfeita. Ao menor sinal de bom relacionamento, já boicotava todo e qualquer contato como forma de me proteger.
De quê? 
Eu tive medo de amar. Porquê em muitos momentos, amar doeu demais. Exigiu demais, demandou emergia demais. E, vocês sabem, eu tenho um "quê" de preguiça pra tudo que demanda mais energia do que estou disposta a oferecer. 
É isso... eu não me dispus à entrega. Nunca fui chegada a decisões... e amar é decidir, cada dia, enfrentar pequenas batalhas pra permanecer. Sou volátil. Preciso renovar minhas questões e necessidades, preciso evoluir, preciso mudar... ninguém muda tão rápido assim. 
Enfrentei dificuldades para encontrar quem se dispusesse à um amor tão louco, mutável e divertido. E ao ver tanta dificuldade, simplesmente parei de procurar. 
Estagnei. Estranhei por quanto tempo eu não senti falta de ninguém... cronologicamente, tudo ficou muito relativo. E eu parei de fazer questão.
Adoeci. Por medo, frustração, desânimo, falta de amor próprio, distúrbios de imagem, ansiedade, fadiga. Mantive minha mente em cativeiro de um corpo que recusava toda e qualquer tentativa de contato físico. Repulsivo. Desagradável. 
Reconstruí uma autoestima, pedacinho por pedacinho, baseada numa nova imagem e numa nova mentalidade. Encontrei fatos novos sobre mim, conhecimentos e desejos. Eu aceitei minhas questões, aprendi com elas e me abri.
Alcei vôos no meu próprio inconsciente. Me conheci, me quis e me propus a ser melhor pra mim. 
E quando eu quis ser melhor pra mim, ansiei por alguém, pra poder dividir o sentimento que só é real quando compartilhado. Quis dividir meu riso, meu choro, minhas conquistas e meus anseios. Eu quis, depois de tempos recluso, botar meu coração pra jogo. 

domingo, março 08, 2020

sobre os amores que chegam para ficar

Cecília acreditava em destino, em estrelas, em conjunções e sinastrias... Com o passar do tempo, passou a fazer questão de ser dona do próprio futuro, respeitando os dias astralmente mais favoráveis, sim, mas tendo iniciativas que a faziam ser a pessoa que põe a vida pra girar. Talvez nem sempre pelos meios mais corretos ou convencionais, e nem sempre com ânimo e força constantes, mas sempre sem desistir do propósito principal que é ser feliz!
Numa dessas fases de carência e baixa auto-estima, Cecília comete o mesmo deslize que já havia cometido várias vezes no passado. Faz download pela milésima vez do app mais mequetrefe de encontros que roda por toda a rede. E, num filtro bem seleto de idade e região, eis que ele surge. Kalil, 25 anos, via-se pelas fotos que era alto, mas não bastasse, ele ainda declarou seus 1,84m na bio, um currículo acadêmico e profissional de dar inveja e de despertar o interesse dela logo de cara. 
Desde o principio foi muito mais do que um  "oi, tudo bem? me passa seu whats". E disso, apesar dos hiatos que ocorreram durante este ano que decorreu desde o famigerado match, pelo menos uma admiração mútua brotou.

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Sobre o por quê eu gosto de você

Eu gosto de você
inteiro 
Da ponta dos pés
a raiz dos cabelos

Eu gosto de você
pela metade
Quando voce acha
que se perdeu e 
caiu. 
Novamente. 
Mas, enfim,
serviu pra te fazer 
ver
que tu tem mais 
bem aí dentro de ti. 

Eu gosto de você 
assim
porque é quando 
vejo você crescer
internamente 
e amadurecer.

Eu gosto de você 
renascendo.
Buscando novos porquês
e se enchendo de vida

Eu gosto de você 
até quando tu 
não merece. 
Gosto porque fujo
do meu padrão 
e fico vulnerável. 

Eu gosto de você 
me falando 
que teu amor queima.
Quando nem você sabe
de fato
se queimar é bom.
Mas te ensinaram 
a amar assim. 
E agora
é como você ama.

Eu gosto de você 
porque a minha 
zona de conforto
vem abaixo
quando tu chega.

Tu desfaz meus por quês.
E me dá novas coisas
pra amar e pensar.

Eu sinto que
eu gosto de você 
mais do que devia
e exatamente quando
não poderia. 

Mas gosto. 
E fim. 

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Sobre os Grandes Sertões de nossos dias


Guimarães Rosa dizia que "o correr da vida embrulha tudo"... faz um fuzuê dentro do peito, mexe nos caminhos que tínhamos planejado seguir. E o que era pra ser pra sempre torna-se um breve instante. Uma efêmera conjugação verbal... um mero ser agora, nesse exato momento: é absolutamente tudo o que temos. E mesmo contra nossos impulsos "esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta" numa constante não linear que só o Acaso sabe definir. Uma progressão matemática cujo fator desconhecemos. E pra quê saber? Tem graça saber? Se a graça está em dar o passo pra depois ver o chão. Ousar!
Porquê "o que ela quer da gente é coragem", a vida quer o esforço, quer o suor no trabalho, quer o suspiro da audácia. Sem coragem, somos verbos sem ação. Verbos mortos... e o Verbo não pode morrer. Ir é simples... "eu vou!" é o pulo. Se pôr em movimento faz crescer.
Pra que na busca, sejamos felizes... "ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria", ser abundante, transbordar e criar memórias que nos façam gargalhar ao recordar "e ainda mais alegre na tristeza" para ter certeza de que isso também vai passar. Porque na efemeridade do que somos, nossos sentimentos são passageiros: mesmo nossas mais intensas alegrias passarão.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Se eu te dou um beijo?

Eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. 
Te dou meu mau humor matinal, meu excesso de sono e minha bipolaridade habitual. Tu faz o que quiser com isso. 
Te dou também meu mais belo verso, o melhor poema que eu puder compôr, a mais farta mesa que eu puder servir, o café mais gostoso que eu puder preparar. 
Te dou o cafuné mais demorado que tu quiser, a massagem mais relaxante que tu precisar e o colo naquele dia difícil que tu passar. 
É teu todo o meu respeito e a minha lealdade. 
Não me faço rogada do seu lado. É teu meu desejo mais quente, meu sonho mais vivaz e minha fantasia mais ousada. 
Se torna tua também minha admiração constante, minhas orações e todo meu bem-querer. 
Não minto que me amedronta tamanha entrega, mas guardar o coração nunca foi do meu feitio. 
Mergulha, que eu sou tua. 
Faz do meu peito o teu descanso, me toma como teu porto seguro, faz de mim tua morada. Vive comigo, de mim, por mim. Te inspira nos filmes bobos que gostamos e faz o dia ser leve, leva nosso amor pra qualquer lugar... Viaja comigo e em mim. Em cada curva uma nova nuance a ser descoberta, de ti e de mim. De nós. E que em nós nunca faltem laços para unir. 
Vem viver comigo que eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. Vem viver comigo que eu te carrego na alma pelo resto dos meus dias e não haverá um dia sequer que tua boca não vai cantar que é tempo de a gente se amar. 

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sobre ser amor

Muita gente fala em amar. 
Rabisca canções de amor, poesias, sonetos. 

Muita gente fala em amar. 
Compartilha frases bonitas, distribui amor em publicações, fala "i love you" até para os postes das ruas. 

Muita gente fala em amar. 
Posta foto com legenda bonita, posa ao lado dx namoradx e tem centenas de amizades. 

Pouca gente fala de amor. 
Amor no simples ato de ser: de estar disponível e presente para uma conversa, um conselho, um bom papo ou ser um ombro amigo. 

terça-feira, maio 14, 2019

Sobre o frio que aquece o meu coração



Acho hilário como a minha inspiração para escrita e o clima são inversamente proporcionais. Quanto mais frio, mais me inspiro. 
Eu vivi bons momentos em dias frios, acredito que devo atribuir a isso o quão geladas são as minhas inspirações. Vivi vários romances em momentos outonais e invernais. Os outonais foram os meus favoritos, devo confessar. E isso não é nada novidade pra quem me lê há algum tempo ou conhece a fundo minha não tão complicada forma dever o mundo. 
Eu sou romântica. Lamento! Algo brotou em mim quando ainda muito nova... Uma motivação - quase que um desejo fortuito - de viver momentos românticos (e por românticos leia-se: clichês). Eu nunca fui de contos de fadas... nunca gostei de Cinderela, Branca de Neve, e afins... Não. Me formei em romantismo clichê lendo Nicholas Sparks e assistindo Sessão da Tarde durante incrivelmente longas férias de verão nos anos 2000. 
Eu criei em mim um "tipo". De que muitas vezes, o cara certo surge no momento errado ou da maneira errada, sem parecer certo logo de cara! Afinal, não estava habituada a príncipes encantados (mesmo que O Diário da Princesa com Anne Hathaway tenha me mostrado que eles podem sim ser reais, rs), eu estava habituada a aqueles caras que fazem tudo errado mas no fim, conquistam a garota, como em 10 coisas que eu odeio em você. 
Aconteceu, simplesmente, que eu passei a não procurar o correto... Meu "tipo" eram os caras errados. Aqueles que eu poderia "consertar". Como se do meu amor pudesse nascer um grande milagre... Então, já um pouco mais ciente do mundo real e desgarrada de literatura água com açúcar, hoje vejo. 
O milagre é nascer o amor. Encontrar quem possa multiplicar esse amor. Alguém que me honre tanto a ponto de que eu não morra de vergonha em andar por aí de mãos dadas (sim, isso é um bloqueio). Alguém que sussurre idiotices no meu ouvido enquanto estamos no meio de várias outras pessoas, apenas para que eu ria... Deixando todos os outros sem jeito. Alguém que não se importe em dividir o pequeno espaço da minha cama de solteiro - vulgo "meu pequeno paraíso". Alguém que me veja com o pijama engraçado do Garfield e não julgue, muito pelo contrário, traga as suas camisetas engraçadas pra dividir o espaço nas minhas gavetas. Eu preciso de alguém real! Alguém que me auxilie a resolver algumas melequinhas que ainda nadam na minha psiquê, que me apoie a curar alguns dos meus traumas e me leve a imensas crises de riso (e, claro, não se importe com o barulho de porquinho que eu faço quando tenho uma crise de riso... E, aliás, que essa peculiaridade lhe faça rir ainda mais insanamente). Alguém tão real que precise de colo, conselho e apoio... Porquê eu não quero ter que ajudar ninguém, mas estarei ali inteira para apoiar toda e qualquer decisão. 
Eu cansei de ser sozinha... Sempre prezei o ser "una", mas faz tempo que a solidão me emplacou, arrancou o "contente" dos meus versos e me trouxe para lugares sombrios que eu jamais imaginei vivenciar. 
Foram dias difíceis.... Dias em que aprendi a valorizar os poucos sorrisos que pude ter; momentos de tanto êxtase que me levavam a poços profundos de insatisfação; uma ridícula vontade de viver uma realidade alternativa, só pra ter um escape dos meus dias. 
Acho que posso considerar toda essa sensação como passado. Somos feitos de decisões, e já há algumas semanas eu decidi ser melhor. Me machucar menos, me julgar menos, parar de me ignorar... 
Esse inverno que vem chegando, traz meu romantismo de volta, a minha nostalgia de tanto já vivido em momentos de frio como dos dias que se aproximam. A vida foi, de fato, muito intensa nos poucos amores que pude vivenciar. E eles me ensinaram muito sobre o que pedir e o que aceitar. Eu chorei muitas vezes por constatar que não era querida naquele lugar, mas tive suficiente amor para transformar minhas lágrimas em saída, em fim, enfim. E finalmente, pude enxergar o que mereço, e hoje sou muito mais criteriosa sobre o que eu aceito e muito mais flexível no que pedir. 
Eu olho para o céu todos os fins de tarde e observo o suave azul se tornar salmão, laranja vibrante e esmaecer em tons de rosa... E me imagino em um lugar bem distante daqui, admirando teu rosto no entardecer, as horas douradas ressaltando as feições suaves do teu rosto, trazendo tão grande paz pro meu coração. Completa. Plena. Puramente, acompanhada. 
Pra não sentir mais falta de caminhar ao lado de alguém, pra não ter a audácia de sonhar sozinha, pra ter minhas sementes crescendo ali por perto, correndo e vivenciando o que de melhor pudermos proporcionar. 

sábado, agosto 04, 2018

Sobre a falta que faz.

A temperatura lá fora é de 13ºC. Aqui dentro do quarto, o aquecedor faz barulho quase ronronando. É madrugada, como sempre quando me surgem às palavras...
Porém, dentro de mim, sinto frio. Sinto falta. Sinto ausência. 
É tanta coisa que não se faz presente... Falta paz, falta carinho, falta atenção, falta afeto, falta alguém que desperte tesão e me faça sorrir largamente pro mundo, mais uma vez.
Falta alguém que faça o tempo ser meramente um número, que me diga que não importa a hora, que desfaça o clima emburrado que se vê fora dessas paredes, que torne o vento uma carícia, que me eleve e faça ser sublime cada momento compartilhado. 
Falta sentimento que seja recíproco, plano que seja compartilhado, sorriso que seja multiplicado, abraço apertado, beijo molhado, carinho não contido. 
Falta paz, falta alguém que cale qualquer dúvida que eu venha a ter sobre mim, minha sanidade, meus credos, meu corpo, meus limites e minhas extravagâncias. 
Falta alguém que desnude a minha alma, e não apenas meu corpo. Buscando mais do que uma noite de calor, mas alguém que queira dividir ansiedades e medos. Falta alguém que, para além da minha roupa, queira arrancar gargalhadas, daquelas de dor a barriga de tanto rir... 
Falta tanta coisa... Falta tanto. 
Faz falta. 
Faz falta ter alguém que esteja presente em pequenos momentos, pequenas conquistas. Faz falta ter para quem mandar aquela frase romântica que encontro nos poucos livros que ando lendo. Faz falta ter para quem mandar aquela música incrível que o Spotify me apresentou. 
Faz falta ter com quem compartilhar histórias engraçadas, de rir das noitadas que a vizinha tem. 
Faz falta ter com quem implicar porque o cabelo está muito comprido ou desgrenhado, porque a barba está precisando ser aparada, ou a unha precisando ser cortada. 
Faz falta cuidar de alguém, ter com quem se importar.... Aquele "tá tudo bem com você?" logo cedo... E poder responder que só um abraço curaria essa tristeza. 
Faz falta ser mulher ao lado de alguém, ser desejada, querida, ser de alguém. 
Faz falta... E ainda há de fazer por um tempo. 
Porquê antes de tudo, é preciso aprender a não sentir tanta falta de uma segunda pessoa, e aprender a suprir a própria ausência. Se amar. Ser una. 
Ser menina, ser moça e ser mulher. Saber ser! Ser boa para si para saber ser boa para alguém e parar de machucar os corações alheios. 

sábado, março 24, 2018

Sobre o fim de certos ciclos

passava das três da manhã quando o visor do celular se iluminou e logo o aparelho começou a vibrar.
tinha teu nome na tela. teu nome e o emoji que caracterizava e tornava teu contato especial.
diferente.
eu ignorei.
passados apenas alguns segundos, o aparelho voltou a se iluminar e a vibrar.
novamente, eu ignorei.
estava me tornando cada vez melhor em ignorar tua existência e tua presença na minha vida.
eu nunca soube qual era o motivo daquelas ligações na madrugada.
nunca soube pois perdi o interesse em te perguntar ou em tentar descobrir que fim tínhamos levado.
não teve fim;
porque não teve começo.
mas teve sentimento. teve o "dito pelo não dito". teve paz e abrigo.
só não teve consideração, respeito, amor.
não o suficiente.
e foi por isso que deixou de ser, tão breve quanto pôde.
foi  por isso que meu coração escolheu não te amar mais. te deixar livre pra viver teu mundo e aproveitar de quantas pessoas tu bem quisesse.
e para que eu pudesse viver também.
não fui nobre e altruísta nessa decisão.
hoje, me importo mais comigo do que contigo.
me importo mais com o meu bem estar do que com o seu, coisa que deveria ter feito meses atrás.
mas só hoje, semanas depois do nosso ultimo encontro (o derradeiro desencontro) é que me permito dizer isso aqui.
hoje eu  me permito dizer "estar livre" de ti. te entender enquanto amigo, apenas. conhecido, eu diria.
um que passou por mim e não mereceu ficar, como eu andei dizendo por aí.
você não mereceu ficar e sabes muito bem o por quê.

agradeço pelos sorrisos e pelos risos, mas é aqui que terminamos essa história.
é aqui que coloco este livro na prateleira, sem nenhum marca página e com a lombada voltada para trás, para não cair em nenhum tipo de tentação e voltar a lê-lo.
tais palavras mais feriram do que curaram. salgaram-me a face com as lágrimas. entristeceram meu sorriso, sempre tão vibrante.
tais palavras farão para sempre parte da minha história. no passado.
mas, agora, "ou tem o hoje, ou tem o amanhã, o ontem não é uma possibilidade".

adeus.



(e é assim, com uma métrica totalmente diferente de tudo o que estou habituada a escrever, que publico esta postagem. breve, densa, e real. aqui, findou um amor. aqui, findaram três anos de tentativas. aqui, uma parte da autora morre para dar espaço à um novo alguém.)

seja bem vindo, meu amado outono! que sempre possas trazer minhas palavras e minhas inspirações em teus ventos. ♥

quarta-feira, agosto 31, 2016

Sobre sermos mais do que um pretérito imperfeito.

Eu queria poder ser mais pra você. 

Queria que você visse em mim toda a paz do mundo, todo o carinho que o Universo pode oferecer e a satisfação em ter alguém - conforto, amor, parceria. 

Queria ser o refúgio aonde você vai visitar todo dia, trazer os problemas pra serem transformados em flores, alegrias, coisas boas para serem somadas no fim do dia. 

Queria ser teu desejo expresso em vida, todos os teus anseios expressos em forma de mulher, pra aprender contigo como é que faz pra ser mais. 

Queria ser pra você alguém com quem você pudesse se abrir sem exceções, confiar mais e falar mais, da vida, de ti, do mundo. Porque eu sou assim. Eu gosto de palavras, e eu gosto de você. 

Eu queria que você fosse mais por mim. 

Queria que você lesse meus pensamentos e adivinhasse todas as horas que preciso de palavras doces, de uma frase terna ou de uma resposta mais longa e completa. (Porque, de novo, eu gosto de palavras).

Queria que soubesse das minhas mais obscuras sandices, das maluquices que minha cabeça pensa... e aceitasse cada uma delas, sendo louco o suficiente para compartilhá-las. 

Queria que compreendesse meus ângulos, minhas curvas e minhas retas também. Que me visse do avesso e desse uma gargalhada, como quem diz "adoro isso!".

Eu queria que fossemos nós. 

Queria que pudéssemos passar a noite de sexta inteirinha juntos, sem responsabilidades, sem incômodos e perturbações, pra dormir e acordar juntos. 

Queria sair contigo por aí, sem rumo, só partilhando de risos e observações. 

Eu quero que passemos de pretérito imperfeito para o verbo conjugado no presente, com chances de ser futuro. 

Eu quero acordar no seu peito, suave, subindo e descendo devagarzinho naquela respiração leve que a gente faz quando o sono está suave. 

Eu quero ter a chance de deitar no seu colo no meio de um filme, permitindo que você bagunce todo o meu cabelo, porque afinal, não me importa... 

Eu quero que você me veja além do cabelo arrumado e da face com maquiagem, quero ser além da aparência pra ti. 

Eu quero perder a noção do tempo junto contigo, sem me importar de olhar as horas ou de ter acesso a uma rede wi-fi. 

Eu quero sair de férias contigo pra um lugar paradisíaco, ter um quarto só pra nós e não me preocupar com o que as pessoas vão pensar se passarmos o dia todo no quarto. 

Eu quero ver fotos fofas por aí e lembrar das nossas; eu quero ver legendas e pensar em usar futuramente; eu quero ouvir canções e pensar eu te dedicar toda e cada frase romântica contida nelas. 

Eu quero viver contigo situações inusitadas, realizar desejos que nem sabia ter e estar contigo por mais de um simples momento. 

"Quero".

domingo, agosto 21, 2016

Chega mais pra cá

Chega mais pra cá, tô vendo que você tem potencial pra colorir um pouco os meus dias, que pode trazer um tiquinho de alegria pro momento em que eu olho meu celular pela primeira vez de "manhã" - porque eu ainda vou acordar meio tarde, mesmo tendo te dito que vou trabalhar nisso -, que meus fins de semana poderão ter a sua companhia e seu sorriso ser espelho do meu.
Chega mais pra cá, tô vendo que você vai me devolver as minhas palavras, furtadas por rapazes estranhos que passaram pela minha vida nos últimos meses. Se você não for como eles, prometo te dar carinhos sem fim, te trazer pra dentro do meu coração e fazer valer o dito "amor de poeta", porquê agora eu posso, porquê você me devolveu as minhas palavras.
Chega mais pra cá, tô vendo que o frio vai aproximar nossos corpos nessas noites frias que têm feito, tô vendo que vou ceder aos teus encantos e me deixar levar por esse sorriso gostoso que você mostra pra mim. Eu sou meio estranha quando tô acordando, mas finge que não sabe disso, que não vê, e só fica abraçado comigo mais um pouco, deixa o dia começar um pouquinho mais tarde...
Chega mais pra cá, tô vendo que a cupida fez uma boa escolha quando me deu você de presente, numa época bagunçada, pra me trazer algumas alegrias e aquele romantismo old-fashioned de volta.
Chega mais pra cá, porquê eu tava sentindo uma saudade gigante de ficar com o estômago cheio de borboletas e tu trouxe isso de volta pra mim.
Obrigada viu? E, larga mão dessa distância, chega mais pra cá.

quinta-feira, agosto 18, 2016

Sobre versar

"cê faz verso?"
E quando perguntada, ela estremeceu e pensou consigo: eu faço verso?
Eu bordo em verso toda a dor que meu peito guarda; eu descrevo em verso toda a culpa que minha alma carrega; eu coloco em verso toda queixa que minha boca não fala; mas também coloco em verso todos os sonhos que minha mente cria; faço verso de toda graça que meus olhos enxergam; transformo em verso todo sentimento que meu coração identifica como amor.
Se eu faço verso?
Sim, eu me (uni)verso.

segunda-feira, junho 01, 2015

Sobre me identificar com textos melancólicos

O texto abaixo, é de autoria de Marina Melz, postado no Blog Entenda os homens. Quando li, me deu um aperto no peito... Rolou uma identificação e um arrependimento ao mesmo tempo. Aquela dor quietinha que mencionei no ultimo texto que postei. Essa identificação pessoal fez com que eu tivesse vontade de guardar esse texto aqui, pra ler quando precisasse. Então, faço dos dela os meus sentimentos e pensamentos. Beijinhos!

Eu sei, a memória recente não é minha aliada. Nas nossas últimas conversas, beirei a psicose. Justo eu, que por tanto tempo defendi que seguíssemos sendo dois, jurei que morreria sem a sua respiração. Implorei descontroladamente, escrevi cartas a próprio punho, poderia até ter exposto a dor que eu sentia numa galeria qualquer só pra que o mundo te detestasse. Enlouqueci.
Se ainda houver tempo – e sempre acho que há – te peço perdão. Não fiz jus a uma história tão leve. Não tive dignidade, não tive forças. Te culpei por uma infelicidade que foi o monstro da expectativa quem criou. Esse monstro engoliu minha autoestima, minha decência, meu senso de ridículo. Isso não é desculpa. É só um pedido de desculpas.
E, se não for pedir demais – talvez seja, vai – eu te peço pra ocupar na sua estante do passado um lugar de lembrança bonita. Não que eu seja melhor, ou que tenha te causado amor maior do que seus outros amores mais duradouros e intensos que nós. Por isso, não quero ser sua lembrança indescritível, seu sexo inenarrável, sua paixão avassaladora. Quero só ser uma lembrança bonita que mereça estar na memória, não ser apenas um álbum amarelado de momentos esquecidos.
Uma recordação leve como uma mensagem no meio de uma tarde difícil, um papo na madrugada sobre a intensidade da vida ou um samba de uma nota só. Como completar a palavra esquecida que completa tão bem o refrão. Como um abraço silencioso e duradouro, um carinho na ponta da orelha que estremece qualquer certeza.
Queria que você ouvisse João Gilberto cantando “o amor, o sorriso e a flor se transformam depressa demais” e sorrisse. Sorrisse porque sabe que eu adoro essa música, porque sabe que o amor metamorfoseou em lembrança bonita e a flor pode até ter virado só uma semente de novo. Mas o sorriso é sempre sorriso porque não há como não ser feliz por termos vivido aqueles dias de entrega.
Ou que você passasse pelo banco da praça onde me disse que não sabia como era possível que eu te amasse tanto e sentisse a brisa te dizer que talvez eu nem tenha te amado tanto quanto minhas palavras repetidas insistiam em falar, mas que foi delicioso passar duas horas no frio do inverno sentindo o maior calor do mundo.Desejo que você não se negue a sentar na praia que escolhemos pra ser nossa, mesmo sabendo que no vai e vem do mar sobram amores dignos daquele pedaço do paraíso. Ela vai estar sempre ali e continua bonita, como a lembrança que eu gostaria de ser pra ti.
Eu queria ser pra você a certeza de que o passado valeu a pena. Não por ser eterno, não por ser melhor ou mais importante que o presente (até porque isso não faz sentido nem pra você nem pra mim). Mas porque nessas lembranças leves estão a certeza que estivemos lá. Inteiros, iguais, entregues. E há nisso uma beleza que nem o pior dos afastamentos deve apagar

quinta-feira, maio 28, 2015

Sobre os 365 dias depois de você

Meu corpo nunca recebeu tanta dopamina quanto quando estivemos juntos. Havia uma coisinha ali que sempre me fez acreditar que iriamos além do que realmente podíamos. Que superaríamos limites de lógica e de física... Impossível explicar com exatidão. Ainda mais agora, passados 365 dias do fim. 

Um ano após o meu caso mais vertiginoso. Altos muito altos e baixos muito baixos. Relativismos a parte, soubemos fazer dar certo. 

Mas quando abandonou-se esse objetivo de "fazer dar certo juntos", essa foi, com toda a certeza do mundo, a queda mais vertiginosa que sofri. O fel mais amargo, o limão mais azedo, o café mais amargo. E ainda deixando as sinestesias a parte, acredito que esse tenha sido um dos piores momentos pro meu psicológico. 

Foi um tombo. Já havia tido uma queda, quase que antes do princípio de tudo, contudo, não posso nem compará-la a esse último tombo. Que de fato, acabou mostrando não ser o último. Porque quando enfio algo na cabeça, não tiro de lá tão cedo. Após cair, continuei chafurdando em humilhação, tentando trazer pra perto alguém que se afastou por desejo próprio e que em momento nenhum disse ter se arrependido, mesmo em meio a declarações mais do que óbvias pela parte que me diz respeito. 

E de fato, hoje penso e não sinto mais vergonha, não sinto arrependimento pelo que foi dito. 

Só sinto um remorso enorme por ter me privado de novas histórias por me ligar a você, naquele tempo. Hoje, após mais de três centenas de dias decorridos do fim que não foi um fim, propriamente dito, sinto que já me desliguei da figura, do homem. Apenas sinto uma solidão do sentimento, uma nostalgia aguda em certos momentos que me lembram os que vivi naquele tempo. Um tempo que foi inegavelmente bom e curto, mas que findou por razões que ainda vão além do meu entendimento, razões que não possuem certo cabimento em mim. 

Eu entendi que não devo questionar. E, de fato, creio que não o faço mais. Sinto o estrito, o inegável... um cheiro aqui e ali, uma presença acolá, uma saudade escondidinha e disfarçada - que não admito, mas se faz presente nas madrugadas insones. Malditas sejam. 

Isso de viver estórias mal-resolvidas é mais intrínseco a mim do que muita coisa que se vê pela casca. Mais frequente do que eu jamais poderia desejar e mais doloroso do que ousaria um inimigo querer. 

É intrínseco a mim também esse disfarce, essa indiferença mal feita que meu rosto exibe por aí. Mas depois desses 365 dias, acho que consigo dizer que os dias nem sempre são iguais depois de ti. Existem dias de leveza, de sensação de livramento e liberdade. Assim como existem os de culpa e solidão, saudades e afins. Para o primeiro, existem os amigos. Para o segundo, existem os travesseiros - e amigos também, quando me falha a vergonha e liberto minha trava para o assunto. 

Hoje, um ano depois, o que eu espero é poder parar de escrever sobre você. Nesse aniversário da tua ausência, eu gostaria de pedir que essa saudade fosse bater em outra porta, fazer morada em outro paradeiro. Porque aqui ela já marcou presença, se fez sentida e causou estrago. Eu apago as velinhas desse bolo de um chocolate amargo, que não me apraz, e sussurro pro vento: "leva pra longe e afasta de mim essa lembrança que tanto causa dor".

domingo, março 22, 2015

Sobre ser, no mais simples sentido do amor.

"Quero um amor que resista ao tempo, uma verdade pra abraçar pra sempre... caminhada de bons sentimentos, um coração que me entenda..."
Love.
Quando penso em ter alguém comigo, não penso que bastaria ser um alguém qualquer. Não é querer ser seletiva e nem nada do tipo, apesar de assumidamente ser. Me renego a algumas felicidades por razões que muitas vezes desconheço, mas o assunto não há de ser esse. 

Quando digo que preciso de alguém comigo, penso em situações já vividas e em outras que gostaria de viver. Essas situações, somadas, resultam no relacionamento que idealizo e anseio. Não convém mencioná-las, apenas dizer o quão feliz poderia ser se as conjunturas astrais agissem. Entretanto, não peço que ajam agora, que sejam instantâneas. Peço capricho dos céus, peço que me prepare uma felicidade tão absurda que surpreenda até mesmo a mim, tão conformada com pequenas atitudes. 

Tão pequenas mas que se mostram tão grandes. Frases soltas escritas e escondidas em lugares que apenas eu conheço, que apenas eu percebo e que chama atenção principalmente do meu coração, mais que aos olhos. Não peço perfeição, peço atenção. Atenção para mínimos detalhes que carecem de um olhar mais terno do que o habitual, de olhares cuidadosos e detalhistas para que percebam o quão importantes e recíprocos eles são. E dessa reciprocidade, peço que surja uma companhia que vá além do Eros. Que seja Ágape, que o afeto afete de fato, que exija sacrifícios em vários aspectos e que se prove valoroso. Que seja Philos, que proporcione lealdade, fidelidade, dedicação e que faça-me crescer mental e espiritualmente, que não monopolize ou escravize, que seja fraterno. E sem ser hipócrita... que haja o Eros também, e que haja em abundância. Que inebrie, que acenda o instinto, que desperte prazeres esquecidos ou desconhecidos. 

Mas não tem pressa não... Tô descobrindo que pra ser par, tem-se de ser ímpar primeiro, tem de ser una. Mas una contente. Una que não tem medo de ser una, pelo tempo que for preciso. Una que vai saber ser duo quando for propício. 

E que se for pra ser duo, seja pra sempre, seja breve, seja firme, seja leve, seja bravo e seja breve. ♥ 

sexta-feira, março 13, 2015

Sobre a ação dos Outonos em mim.

Rain

Não sei se vou conseguir me explicar e me fazer entender, gostaria que isso soasse mais claro do que estou imaginando, mas não sei como seria possível.

Há alguns dias venho me sentindo diferente e coloco a culpa disso na aproximação do Outono, estação minha, como tantos já devem saber. Mas esse é um Outono diferente. Outono em que completo duas décadas de existência nesse mundo. Ainda ontem na faculdade falávamos sobre as crises existenciais que rolam nesses períodos. Mencionei que a minha já rolava há alguns meses e de fato, tenho tido alguns pensamentos a cerca de tal data.

São duas décadas em que aprendi quase tudo de importante que é necessário aprender durante a vida. Acredito que o que vier daqui em diante, é adicional. Aprendi a comer, andar, correr... coisas básicas. Mas também, aprendi a usar Bháskara, a equilibrar reações químicas, a escrever sobre o que penso e a embasar meus argumentos. Acredito que nessas duas décadas, houve um crescimento exponencial de mim. O que vem daqui pra frente, é geométrico, é degrau por degrau, pequenas proporções que apenas agregarão ao que já aprendi.

Mas sobre o que já aprendi.. é muito, eu sei. Entretanto, me parece tão pouco. Ainda tenho uma sede de saber tão grande, um medo de ter deixado de aprender tanto quanto podia. Pode até ser neura minha, mas sinto que preciso saber mais, me aproximar mais das razões de tudo. Refazer minha fé!

Sempre acho que esses meses entre março e junho são os melhores pra isso. Me sinto tão centrada, tão disposta, tão perceptiva e sensível... Espero que esse ano seja como os dois anteriores foram: que o Outono auxilie na tomada de decisões e sirva como período de amadurecimento mental e espiritual.

E além de tudo, que o Outono de dois mil e quinze saiba me proporcionar sabedoria para lidar com as decisões que precisam ser tomadas. Que eu saiba separar o joio do trigo e que consiga explicar isso à quem precisa entender. Que eu saiba ser morada para aqueles que se aproximem de mim, para amigos que precisam de abrigo e porto seguro, que eu saiba oferecer proteção e livrar-lhes de males. Que meu espírito mantenha a confiança e a tranquilidade nas crenças em que ele crê e consiga se estabilizar nesse momento tão confuso, tanto na questão política quando psicológica, que ele saiba escolher a batalha certa pela qual vale a pena lutar e saiba também abandonar as batalhas erradas e as mágoas. Que esse Outono seja de mais que uma simples renovação, mas de transformação.

E ademais, peço apenas que os ventos frios que começam a soprar aqui no sul, possam trazer em seus braços um abraço quentinho onde se aconchegar, que acolha e aconchegue um espírito relativamente cansado das duvidas que tem visto pelos caminhos onde tem passado.

sábado, março 07, 2015

Pra me amar

As vezes me dá aquela vontade de sentir teu braço embaixo do meu pescoço e ter consciência que o outro braço vai me abraçar a noite toda, e ao acordar, você estará ali, tão sereno, tão calmo, de mente limpa, pronto pra ser meu de novo, mais uma vez, mais duas, mais cinco... pra sempre assim. 

Pensando que te quero perto, penso no quanto te quero e espero. Mas preciso confessar que a espera já é grande demais, que o coração anseia logo por te ter perto, junto, grudado, por momentos infinitos apesar de curtos, instantâneos mas duradouros, porque na minha mente eles não são tão efêmeros quanto te parecem. 

Minha efemeridade tem feito me afastar de ti, amor. Mas eu te peço: vem pra perto, não corre, fica... Faz de tudo, supera meus medos, minha insegurança, supera minha birra e teimosia, finge que não sou implicante e irritante, que sou tua menina perfeita... Finge e fica. Mas não finge pra sempre. Me mostra o quanto cê me ama e me quer por perto. Sobre me amar, não finge nunca. Não me engana, não me distrai... Se for pra distrair, faz mordendo minha orelha, me levando pra ver um filme legal e beijando as pontinhas dos meus dedos. Se for pra me distrair, faz pra eu não ver o tempo passar do teu lado, que é pro pra sempre chegar logo. 

E se o pra sempre chegar cedo demais e a parte do felizes aparentemente acabar... Não deixa. Não some, não vaza. Me explica e me queira mais um dia, só mais um. Amanhã vou saber te dar razões pra ficar de novo, mais uma vez, mais um inverno, mais um ano, pra tu ver nosso apê ficar pronto.

Não me diz que precisa de um tempo... Mas se quiser, toma ele pra ti, contudo, não me deixa sozinha, ou eu pego a solidão e danço... Finjo que nunca te pedi nada e que a vida contigo foi doce enquanto pôde, mas que agora amargou, pereceu, não pode mais acontecer. Não me pede tempo, porque se pedir, te dou a eternidade. O único tempo que aceito te dar é pra tirar a roupa e perder o ar me beijando, arfando e me pedindo pra nunca mais cogitar ficar longe. 

Se quer a minha cama como tua segunda morada, deixa meu coração ser a primeira... Deixa eu te colocar dentro de mim e te fazer viver mais vívido, mais colorido e mais lindo do que nunca, sempre dentro de mim. Me deixa te criar e reinventar, te fazer sentir um amor diferente... Amor de poeta. Me deixa te eternizar nas minhas palavras e não me proíbe delas, não me afasta do meu peito e nem do teu. Me faz ser tua sem me diminuir de mim. Me amplifica, me seduz a cada dia e me convence que do teu lado a vida é melhor de ser vivida. 

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Proposta de acordo

É o seguinte, coração, precisamos estabelecer alguns pontos para que possa continuar havendo uma convivência harmoniosa entre nós. 

A questão primordial é que você não deve se importar, em hipótese alguma, com aquilo que já passou. Importe-se mais com as coisas do momento e com as que podem acontecer: crie possibilidades para si, anule o que já não deu. 


Você precisa entender também que não é porque me afeta num momento que vai me afetar pra sempre. Conforme-se, nada é permanente. E esse incomodo vai passar tão breve quanto chegou.


Preciso também te lembrar que agindo com a emoção (é o seu forte, eu sei) você só vai se quebrar. Precisa se aliar a razão ou teremos sérios problemas. E preciso pedir que faça isso o mais rápido possível, uma vez que não estou cogitando deixar a vida passar sem que eu possa vivê-la. 


Se eu te pedir pra parar de se iludir, alem de tudo que já pedi, você pode me atender? Aliás, esse é um dos requisitos mais importantes. Ilusão não te leva a parte alguma... Mas cative afeto das pessoas e 
conseguiremos ir bem mais longe (e com melhores companhias). 


Assistir comédias românticas te faz mal, te maltrata, eu sei. Mas confia em mim: as vezes preciso daquela centelha de esperança de que algo ainda pode dar certo. 


As músicas tristes são pra te lembrar por tudo que já passamos e como nos sentimos. Não esqueça nunca, nunca, nunca! (Fica mais fácil quando já absorveu a mensagem e eu posso parar de ouvir). 


Por fim... Coração, você é muito bom pra mim, mas eu sei que não sou tão boa assim pra você. Se aceitares esse acordo, podemos tentar equilibrar a balança e fazer todo mundo se sentir mais feliz. Então...
We have a deal?