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sexta-feira, abril 10, 2020

Sobre a matéria das nossas almas

"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais." (Emily Brontë, em 'O morro dos ventos uivantes')
É mais fácil ignorar a escuridão, do que abraça-la.  E eu confesso não ser tão corajosa. 
É mais fácil não pensar na tristeza, do que encarar o que entristece. Olhar a dor nos olhos. 
É mais fácil fingir plenitude, e ignorar toda a sensação de fracasso que brota do peito aos borbotões. 
Eu ignorei teu amor por anos, por sentir que tua dor era grande demais pra mim. Que teu fardo era pesado demais pra eu encarar. Que tuas feridas eram profundas demais pra mim. Eu ignorei as mesmas coisas em mim... minha dor, meu fardo, minhas feridas. 
Eu ignorei que sofri por anos e não olhei com carinho para essa dor. Eu senti uma insatisfação por todas essas centenas de dias que se passaram e não soube definir em que grau de frustração eles se encaixavam. Por não viver a vida que eu sonhei e mereci. Por não ter sido quem eu queria ser. Por ter me permitido acovardar em frente à todas as grandes mudanças que poderiam ter acontecido na minha vida. 
Eu queria ter podido ser transparente como tu és. Ter lidado com os meus lutos com coragem e ousadia, ao invés de guardar cada pequena porção de escuridão em minúsculas gavetas dentro do peito. 
Eu usei palavras boas e suaves em muitos momentos, quase que pra me fazer acreditar naquilo. Num positivismo tosco que Comte riria até que o ar lhe faltasse. Eu disfarcei minha raiva, e nas vezes que lhe permiti vazão, machuquei quem não merecia. Quando me calei, consenti para que fosse feito o que quisessem da minha vida. Eu me deixei ir por caminhos bem mais tortuosos do que deveria ter trilhado. E eu senti a dor disso tudo... no peito, calada, chorando com o rosto afundado no travesseiro em mais noites do que sou capaz de lembrar. 
Eu nunca soube como era o jeito certo de exteriorizar essa dor.
Até você aparecer e me mostrar, através da sua dor, que não é preciso guardar pra si. E, tentando curar a tua dor, eu encarei a minha. E busquei a minha cura. Olhei pra minha alma e vi pó de estrela. Vi brilho... Vi que a dor havia mantido isso intacto, a despeito da destruição. 
Eu olhei os meus anseios um a um. Percebi que o que esteve no passado, necessita ficar por lá. Que na dor, só se mexe para curar. 

terça-feira, março 24, 2020

Sobre como eu escolhi viver o amor

Eu vivi pulando de ilusão em ilusão, indo de um perfil de amor para outro, a procura de algo que eu nunca soube o que era. 
Eu sentia um vazio, uma necessidade de presença que eu nem permitia que fosse satisfeita. Ao menor sinal de bom relacionamento, já boicotava todo e qualquer contato como forma de me proteger.
De quê? 
Eu tive medo de amar. Porquê em muitos momentos, amar doeu demais. Exigiu demais, demandou emergia demais. E, vocês sabem, eu tenho um "quê" de preguiça pra tudo que demanda mais energia do que estou disposta a oferecer. 
É isso... eu não me dispus à entrega. Nunca fui chegada a decisões... e amar é decidir, cada dia, enfrentar pequenas batalhas pra permanecer. Sou volátil. Preciso renovar minhas questões e necessidades, preciso evoluir, preciso mudar... ninguém muda tão rápido assim. 
Enfrentei dificuldades para encontrar quem se dispusesse à um amor tão louco, mutável e divertido. E ao ver tanta dificuldade, simplesmente parei de procurar. 
Estagnei. Estranhei por quanto tempo eu não senti falta de ninguém... cronologicamente, tudo ficou muito relativo. E eu parei de fazer questão.
Adoeci. Por medo, frustração, desânimo, falta de amor próprio, distúrbios de imagem, ansiedade, fadiga. Mantive minha mente em cativeiro de um corpo que recusava toda e qualquer tentativa de contato físico. Repulsivo. Desagradável. 
Reconstruí uma autoestima, pedacinho por pedacinho, baseada numa nova imagem e numa nova mentalidade. Encontrei fatos novos sobre mim, conhecimentos e desejos. Eu aceitei minhas questões, aprendi com elas e me abri.
Alcei vôos no meu próprio inconsciente. Me conheci, me quis e me propus a ser melhor pra mim. 
E quando eu quis ser melhor pra mim, ansiei por alguém, pra poder dividir o sentimento que só é real quando compartilhado. Quis dividir meu riso, meu choro, minhas conquistas e meus anseios. Eu quis, depois de tempos recluso, botar meu coração pra jogo. 

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Sobre o por quê eu gosto de você

Eu gosto de você
inteiro 
Da ponta dos pés
a raiz dos cabelos

Eu gosto de você
pela metade
Quando voce acha
que se perdeu e 
caiu. 
Novamente. 
Mas, enfim,
serviu pra te fazer 
ver
que tu tem mais 
bem aí dentro de ti. 

Eu gosto de você 
assim
porque é quando 
vejo você crescer
internamente 
e amadurecer.

Eu gosto de você 
renascendo.
Buscando novos porquês
e se enchendo de vida

Eu gosto de você 
até quando tu 
não merece. 
Gosto porque fujo
do meu padrão 
e fico vulnerável. 

Eu gosto de você 
me falando 
que teu amor queima.
Quando nem você sabe
de fato
se queimar é bom.
Mas te ensinaram 
a amar assim. 
E agora
é como você ama.

Eu gosto de você 
porque a minha 
zona de conforto
vem abaixo
quando tu chega.

Tu desfaz meus por quês.
E me dá novas coisas
pra amar e pensar.

Eu sinto que
eu gosto de você 
mais do que devia
e exatamente quando
não poderia. 

Mas gosto. 
E fim. 

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Sobre os Grandes Sertões de nossos dias


Guimarães Rosa dizia que "o correr da vida embrulha tudo"... faz um fuzuê dentro do peito, mexe nos caminhos que tínhamos planejado seguir. E o que era pra ser pra sempre torna-se um breve instante. Uma efêmera conjugação verbal... um mero ser agora, nesse exato momento: é absolutamente tudo o que temos. E mesmo contra nossos impulsos "esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta" numa constante não linear que só o Acaso sabe definir. Uma progressão matemática cujo fator desconhecemos. E pra quê saber? Tem graça saber? Se a graça está em dar o passo pra depois ver o chão. Ousar!
Porquê "o que ela quer da gente é coragem", a vida quer o esforço, quer o suor no trabalho, quer o suspiro da audácia. Sem coragem, somos verbos sem ação. Verbos mortos... e o Verbo não pode morrer. Ir é simples... "eu vou!" é o pulo. Se pôr em movimento faz crescer.
Pra que na busca, sejamos felizes... "ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria", ser abundante, transbordar e criar memórias que nos façam gargalhar ao recordar "e ainda mais alegre na tristeza" para ter certeza de que isso também vai passar. Porque na efemeridade do que somos, nossos sentimentos são passageiros: mesmo nossas mais intensas alegrias passarão.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Se eu te dou um beijo?

Eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. 
Te dou meu mau humor matinal, meu excesso de sono e minha bipolaridade habitual. Tu faz o que quiser com isso. 
Te dou também meu mais belo verso, o melhor poema que eu puder compôr, a mais farta mesa que eu puder servir, o café mais gostoso que eu puder preparar. 
Te dou o cafuné mais demorado que tu quiser, a massagem mais relaxante que tu precisar e o colo naquele dia difícil que tu passar. 
É teu todo o meu respeito e a minha lealdade. 
Não me faço rogada do seu lado. É teu meu desejo mais quente, meu sonho mais vivaz e minha fantasia mais ousada. 
Se torna tua também minha admiração constante, minhas orações e todo meu bem-querer. 
Não minto que me amedronta tamanha entrega, mas guardar o coração nunca foi do meu feitio. 
Mergulha, que eu sou tua. 
Faz do meu peito o teu descanso, me toma como teu porto seguro, faz de mim tua morada. Vive comigo, de mim, por mim. Te inspira nos filmes bobos que gostamos e faz o dia ser leve, leva nosso amor pra qualquer lugar... Viaja comigo e em mim. Em cada curva uma nova nuance a ser descoberta, de ti e de mim. De nós. E que em nós nunca faltem laços para unir. 
Vem viver comigo que eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. Vem viver comigo que eu te carrego na alma pelo resto dos meus dias e não haverá um dia sequer que tua boca não vai cantar que é tempo de a gente se amar. 

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sobre ser amor

Muita gente fala em amar. 
Rabisca canções de amor, poesias, sonetos. 

Muita gente fala em amar. 
Compartilha frases bonitas, distribui amor em publicações, fala "i love you" até para os postes das ruas. 

Muita gente fala em amar. 
Posta foto com legenda bonita, posa ao lado dx namoradx e tem centenas de amizades. 

Pouca gente fala de amor. 
Amor no simples ato de ser: de estar disponível e presente para uma conversa, um conselho, um bom papo ou ser um ombro amigo. 

terça-feira, maio 14, 2019

Sobre o frio que aquece o meu coração



Acho hilário como a minha inspiração para escrita e o clima são inversamente proporcionais. Quanto mais frio, mais me inspiro. 
Eu vivi bons momentos em dias frios, acredito que devo atribuir a isso o quão geladas são as minhas inspirações. Vivi vários romances em momentos outonais e invernais. Os outonais foram os meus favoritos, devo confessar. E isso não é nada novidade pra quem me lê há algum tempo ou conhece a fundo minha não tão complicada forma dever o mundo. 
Eu sou romântica. Lamento! Algo brotou em mim quando ainda muito nova... Uma motivação - quase que um desejo fortuito - de viver momentos românticos (e por românticos leia-se: clichês). Eu nunca fui de contos de fadas... nunca gostei de Cinderela, Branca de Neve, e afins... Não. Me formei em romantismo clichê lendo Nicholas Sparks e assistindo Sessão da Tarde durante incrivelmente longas férias de verão nos anos 2000. 
Eu criei em mim um "tipo". De que muitas vezes, o cara certo surge no momento errado ou da maneira errada, sem parecer certo logo de cara! Afinal, não estava habituada a príncipes encantados (mesmo que O Diário da Princesa com Anne Hathaway tenha me mostrado que eles podem sim ser reais, rs), eu estava habituada a aqueles caras que fazem tudo errado mas no fim, conquistam a garota, como em 10 coisas que eu odeio em você. 
Aconteceu, simplesmente, que eu passei a não procurar o correto... Meu "tipo" eram os caras errados. Aqueles que eu poderia "consertar". Como se do meu amor pudesse nascer um grande milagre... Então, já um pouco mais ciente do mundo real e desgarrada de literatura água com açúcar, hoje vejo. 
O milagre é nascer o amor. Encontrar quem possa multiplicar esse amor. Alguém que me honre tanto a ponto de que eu não morra de vergonha em andar por aí de mãos dadas (sim, isso é um bloqueio). Alguém que sussurre idiotices no meu ouvido enquanto estamos no meio de várias outras pessoas, apenas para que eu ria... Deixando todos os outros sem jeito. Alguém que não se importe em dividir o pequeno espaço da minha cama de solteiro - vulgo "meu pequeno paraíso". Alguém que me veja com o pijama engraçado do Garfield e não julgue, muito pelo contrário, traga as suas camisetas engraçadas pra dividir o espaço nas minhas gavetas. Eu preciso de alguém real! Alguém que me auxilie a resolver algumas melequinhas que ainda nadam na minha psiquê, que me apoie a curar alguns dos meus traumas e me leve a imensas crises de riso (e, claro, não se importe com o barulho de porquinho que eu faço quando tenho uma crise de riso... E, aliás, que essa peculiaridade lhe faça rir ainda mais insanamente). Alguém tão real que precise de colo, conselho e apoio... Porquê eu não quero ter que ajudar ninguém, mas estarei ali inteira para apoiar toda e qualquer decisão. 
Eu cansei de ser sozinha... Sempre prezei o ser "una", mas faz tempo que a solidão me emplacou, arrancou o "contente" dos meus versos e me trouxe para lugares sombrios que eu jamais imaginei vivenciar. 
Foram dias difíceis.... Dias em que aprendi a valorizar os poucos sorrisos que pude ter; momentos de tanto êxtase que me levavam a poços profundos de insatisfação; uma ridícula vontade de viver uma realidade alternativa, só pra ter um escape dos meus dias. 
Acho que posso considerar toda essa sensação como passado. Somos feitos de decisões, e já há algumas semanas eu decidi ser melhor. Me machucar menos, me julgar menos, parar de me ignorar... 
Esse inverno que vem chegando, traz meu romantismo de volta, a minha nostalgia de tanto já vivido em momentos de frio como dos dias que se aproximam. A vida foi, de fato, muito intensa nos poucos amores que pude vivenciar. E eles me ensinaram muito sobre o que pedir e o que aceitar. Eu chorei muitas vezes por constatar que não era querida naquele lugar, mas tive suficiente amor para transformar minhas lágrimas em saída, em fim, enfim. E finalmente, pude enxergar o que mereço, e hoje sou muito mais criteriosa sobre o que eu aceito e muito mais flexível no que pedir. 
Eu olho para o céu todos os fins de tarde e observo o suave azul se tornar salmão, laranja vibrante e esmaecer em tons de rosa... E me imagino em um lugar bem distante daqui, admirando teu rosto no entardecer, as horas douradas ressaltando as feições suaves do teu rosto, trazendo tão grande paz pro meu coração. Completa. Plena. Puramente, acompanhada. 
Pra não sentir mais falta de caminhar ao lado de alguém, pra não ter a audácia de sonhar sozinha, pra ter minhas sementes crescendo ali por perto, correndo e vivenciando o que de melhor pudermos proporcionar. 

sábado, agosto 04, 2018

Sobre a falta que faz.

A temperatura lá fora é de 13ºC. Aqui dentro do quarto, o aquecedor faz barulho quase ronronando. É madrugada, como sempre quando me surgem às palavras...
Porém, dentro de mim, sinto frio. Sinto falta. Sinto ausência. 
É tanta coisa que não se faz presente... Falta paz, falta carinho, falta atenção, falta afeto, falta alguém que desperte tesão e me faça sorrir largamente pro mundo, mais uma vez.
Falta alguém que faça o tempo ser meramente um número, que me diga que não importa a hora, que desfaça o clima emburrado que se vê fora dessas paredes, que torne o vento uma carícia, que me eleve e faça ser sublime cada momento compartilhado. 
Falta sentimento que seja recíproco, plano que seja compartilhado, sorriso que seja multiplicado, abraço apertado, beijo molhado, carinho não contido. 
Falta paz, falta alguém que cale qualquer dúvida que eu venha a ter sobre mim, minha sanidade, meus credos, meu corpo, meus limites e minhas extravagâncias. 
Falta alguém que desnude a minha alma, e não apenas meu corpo. Buscando mais do que uma noite de calor, mas alguém que queira dividir ansiedades e medos. Falta alguém que, para além da minha roupa, queira arrancar gargalhadas, daquelas de dor a barriga de tanto rir... 
Falta tanta coisa... Falta tanto. 
Faz falta. 
Faz falta ter alguém que esteja presente em pequenos momentos, pequenas conquistas. Faz falta ter para quem mandar aquela frase romântica que encontro nos poucos livros que ando lendo. Faz falta ter para quem mandar aquela música incrível que o Spotify me apresentou. 
Faz falta ter com quem compartilhar histórias engraçadas, de rir das noitadas que a vizinha tem. 
Faz falta ter com quem implicar porque o cabelo está muito comprido ou desgrenhado, porque a barba está precisando ser aparada, ou a unha precisando ser cortada. 
Faz falta cuidar de alguém, ter com quem se importar.... Aquele "tá tudo bem com você?" logo cedo... E poder responder que só um abraço curaria essa tristeza. 
Faz falta ser mulher ao lado de alguém, ser desejada, querida, ser de alguém. 
Faz falta... E ainda há de fazer por um tempo. 
Porquê antes de tudo, é preciso aprender a não sentir tanta falta de uma segunda pessoa, e aprender a suprir a própria ausência. Se amar. Ser una. 
Ser menina, ser moça e ser mulher. Saber ser! Ser boa para si para saber ser boa para alguém e parar de machucar os corações alheios. 

quinta-feira, julho 19, 2018

Sobre os imprevistos no amar

Queria tanto poder chegar aqui e escrever um conto enorme sobre como o amor é incrível, sobre como as pessoas se reencontram em seus amados, sobre como é divertido conquistar e cuidar de alguém para que permaneça ao seu lado... 
Mas, ultimamente, não tenho tido tais experiências. 
Venho aqui recordando, saudosamente, os meados de 2013 e 2014, onde de tanto amar ou de tanto querer amar, eu transbordava boas palavras que se transcreviam em histórias incríveis. 
Hoje, eu chego aqui com mais desejos, mais anseios... e não sei até que ponto isso é bom. 
Criei algumas expectativas e idealizações no que diz respeito ao "amar" e não me vejo mais agindo da forma como fazia há 4 anos atrás... Não me vejo correndo atrás de qualquer fiapo de afeto. Isso é bom? Pode-se considerar que sim. Aprendi a valorizar o meu amor e o meu amado, de certo modo. Aprendi que toda essa intensidade que eu tenho o prazer de viver, que esse sentimentalismo clichê que me habita, não deve ser destinado a qualquer um. Mas, o tão esperado "um" hesita em dar as caras. 
No início do outono aqui no hemisfério sul, pensei ter sido agraciada por alguém que poderia me acompanhar numa jornada incrível e acabei descobrindo nele apenas um reflexo das minhas piores partes. Alguém que ilude, que demonstra conhecimento para despertar inveja, alguém que estende a mão e a retira tão rápido quanto decidiu oferecê-la, alguém que encanta por prazer e não por gentileza, alguém que me fez querer e depois fugiu. 
Vejo isso de uma forma muito crua, agora... quiçá nua. Num pleno ato de despir minha alma de todos os meus pudores, bater no peito e assumir todas as minhas fraquezas: eu sou uma babaca. 
Babaca no nível de desperdiçar afeto e carinho de quem realmente quis me dedicar tais bons sentimentos. Babaca no nível de acreditar que era superior ao que queriam me oferecer. Babaca no nível de só perceber toda essa confusão agora, depois de sonhar com o bendito que me fez sentir pterodáctilos do estômago para depois extingui-los tão breve quanto nasceram. 
Talvez, esta seja a mais pura definição e aplicação do nosso tão conhecido Karma e que eu precise vivenciar disso para aprender mais sobre como amar e ser amada. Talvez seja só o destino me mostrando que eu não preciso de babacas assim vivendo perto de mim. 
E, seria muito mais plausível, que fosse só a minha carência falando mais alto e me mostrando o quanto eu preciso, urgentemente, de um amor pra chamar de meu. 

sábado, março 24, 2018

Sobre o fim de certos ciclos

passava das três da manhã quando o visor do celular se iluminou e logo o aparelho começou a vibrar.
tinha teu nome na tela. teu nome e o emoji que caracterizava e tornava teu contato especial.
diferente.
eu ignorei.
passados apenas alguns segundos, o aparelho voltou a se iluminar e a vibrar.
novamente, eu ignorei.
estava me tornando cada vez melhor em ignorar tua existência e tua presença na minha vida.
eu nunca soube qual era o motivo daquelas ligações na madrugada.
nunca soube pois perdi o interesse em te perguntar ou em tentar descobrir que fim tínhamos levado.
não teve fim;
porque não teve começo.
mas teve sentimento. teve o "dito pelo não dito". teve paz e abrigo.
só não teve consideração, respeito, amor.
não o suficiente.
e foi por isso que deixou de ser, tão breve quanto pôde.
foi  por isso que meu coração escolheu não te amar mais. te deixar livre pra viver teu mundo e aproveitar de quantas pessoas tu bem quisesse.
e para que eu pudesse viver também.
não fui nobre e altruísta nessa decisão.
hoje, me importo mais comigo do que contigo.
me importo mais com o meu bem estar do que com o seu, coisa que deveria ter feito meses atrás.
mas só hoje, semanas depois do nosso ultimo encontro (o derradeiro desencontro) é que me permito dizer isso aqui.
hoje eu  me permito dizer "estar livre" de ti. te entender enquanto amigo, apenas. conhecido, eu diria.
um que passou por mim e não mereceu ficar, como eu andei dizendo por aí.
você não mereceu ficar e sabes muito bem o por quê.

agradeço pelos sorrisos e pelos risos, mas é aqui que terminamos essa história.
é aqui que coloco este livro na prateleira, sem nenhum marca página e com a lombada voltada para trás, para não cair em nenhum tipo de tentação e voltar a lê-lo.
tais palavras mais feriram do que curaram. salgaram-me a face com as lágrimas. entristeceram meu sorriso, sempre tão vibrante.
tais palavras farão para sempre parte da minha história. no passado.
mas, agora, "ou tem o hoje, ou tem o amanhã, o ontem não é uma possibilidade".

adeus.



(e é assim, com uma métrica totalmente diferente de tudo o que estou habituada a escrever, que publico esta postagem. breve, densa, e real. aqui, findou um amor. aqui, findaram três anos de tentativas. aqui, uma parte da autora morre para dar espaço à um novo alguém.)

seja bem vindo, meu amado outono! que sempre possas trazer minhas palavras e minhas inspirações em teus ventos. ♥

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Sobre o que eu e você fizemos a esse sentimento

Te amar é um dos maiores desafios que já enfrentei. 
Te amar me exigiu confiança, perseverança, afeto e preocupação. 
Foi necessário que eu confiasse em mim mesma, que acreditasse que eu era suficientemente boa para o você que eu havia inventado para mim - porque o você real acabou superando as minhas expectativas. O carinho e a atenção que me dedicastes, me fizeram sentir tão especial! Teus abraços me elevavam à níveis de felicidade absurdos e a cada um deles, eu vislumbrava um futuro incrível para nós. 
Foi necessário que eu perseverasse por meses na intenção de te ter pra mim. Que eu insistisse em um sentimento que podia muito bem ter morrido tão logo quanto surgiu - afinal, já havia acontecido outras vezes, um amor surgir e logo desaparecer -, mas não. Teu ser, teu jeito, tua luz... fizeram morada dentro de mim por pelo menos dois anos e meio sem que tu sequer correspondesse às minhas intenções. Foi necessário que eu orasse aos céus e pedisse à Deus que me proporcionasse viver desse momento, te ter comigo. 
Foi preciso que meu afeto se multiplicasse, criasse ramos e atingisse cada parte de ti, que se infiltrasse em cada célula do teu corpo, de cada neurônio do teu cérebro - assim, pois creio que foi com palavras que te fiz dizer, enfim, sim para mim. E então, meu afeto passou a ter foco e tu fostes o objeto de grande parte do carinho dos meus dias, da luz dos meus bons momentos. 
E por fim, te amar, me gerou grande preocupação. "Como se ama alguém como tu?"
Como se ama alguém tão ferido e tão fechado para o amor? Como permanecer em devoção à quem não se permite ser atingido pelo amor?
Acredito ter errado em todos os sinais. Deus não me proporcionou esse amor por bem... foi para me mostrar o quão diferentes nós somos, apesar de tão semelhantes. Do quão gritantemente dispares são os nossos anseios. 
Eu, além de ti, anseio o mundo. E tu, não sabes o que quer. Eu quero um futuro... tu, mal pensa no agora.
E assim, vendo teu descuido, meu amor teve uma brecha de sanidade, onde pude compreender que, apesar de te amar tanto que chega a doer, não é assim que amar deve ser. E, pela dor, abri mão do teu amor. 
Entenda que, eu já sou incerteza suficiente. Eu precisava que tu tivesses posto teus pés no chão pra me amar. Que tu tivesses aceitado de bom grado todas as minhas intenções de te amar, de te fazer bem... apesar do meu caos interior e de toda a minha bagunça. 
Tu foi, de longe, o ser mais amado que meu coração já teve a oportunidade de botar as garras, tu te tornastes responsável pelos meus sorrisos diários e por grande parte das minhas lágrimas dos últimos meses. 
Tem me doído demais ter aberto mão de tentar contigo, tem me doído mais do que deveria doer, muito mais do que eu ousaria dizer que doeria. E eu  não quero passar por toda essa dor. Não quero me pegar aos prantos ao ver um álbum de fotos de viagem em que estivemos juntos. Não quero ter surtos de tristeza ao pensar nos locais que estivemos juntos. Não posso sequer admitir o tanto de falta que me faz a tua presença, porque admitir isso é ter certeza do erro que cometi, e não é algo que eu possa fazer agora. 
Minha maior preocupação nesse momento é ter te magoado tanto ao ponto de perder tudo o que construímos, de perder toda a energia dos nossos encontros. 
Talvez, e friso ainda não ter certeza sobre isso, mas talvez eu e você, realmente não tenhamos sido destinados a ficar juntos. Mas talvez, e apenas talvez, haja uma maneira de fazer com que nós possamos dar certo a despeito do destino. 
Eu fico por aqui, alimentando minha mente de resquícios teus, de tudo o que você representa pra mim, no aguardo de que nossos dias se cruzem novamente e possamos pensar sobre o que seremos a partir de agora. 

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Decisões para 2016


Imagem de adventure, bus, and fontAs imagens do post são do We♥It.

As já tão faladas resoluções de ano novo, não é? 

Fiz algumas promessas para o ano que acabou de começar e algumas delas já consegui até colocar em ação. 

No ano passado (2014 para 2015) eu não consegui escrever uma postagem com as minha resoluções para o ano que começaria, mas tinha algumas coisas em mente, como sarar de um amor, estudar mais, ser mais grata pelo que possuo e sou, mais generosa e alguns outros itens. Neste ano, as resoluções aumentaram de dimensão. 

Fiz 20 anos em Junho de 2015, então, exatamente na metade do ano, muita coisa mudou de perspectiva pra mim. Comecei a fazer planos a longo prazo e aumentar a proporção deles. Criar metas, não simplesmente ideias. Pra 2016, seguirei com esse pensamento de metas. Entre elas, fazer minha carteira de motorista e mais para o fim do ano, ou talvez começo de 2017, dependendo das condições financeiras, tentar comprar meu primeiro carro. Sendo modesta, claro, um carro simples, mas esse é um objetivo que faria todo o meu ano fazer a pena. 2015 foi muito próspero, porém, 2016 não pode frustrar as minhas expectativas e precisa superar seu antecessor. 

Meus relacionamentos familiares evoluíram e desenvolvi um amor mais incondicional do que já tinha pelas minhas priminhas. Elas tem me proporcionado alegrias enormes e sorrisos muito sinceros, desses que só criança arranca da gente mesmo. ♥ 

2015 foi um ano muito ruim no que tange ao amor romântico. E devo confessar que estou ansiosa para saber o que está reservado para esse ano. Muitos ideais meus do ano passado não se mantiveram neste quesito, então, 2016 será um ano particularmente focado no amor. Focado em boas relações que dêem frutos positivos e paz pra alma (que já tá em conflito há uns quatro anos, no mínimo, coitadinha).

Eu espero mais da faculdade nesse ano, então, estou preparada  para encará-la com mais seriedade, afinal, são só mais dois anos e serei uma arquiteta - de muito sucesso, se Deus assim quiser. 

E bem no fim, acho que isso é tudo o que eu posso querer para 2016. Prosperidade, bons relacionamentos, mais conhecimento... e saúde, né? Pra vivenciar tudo isso da melhor forma possível!

*Uma das metas pra esse ano que não mencionei, é tentar colocar pelo menos um post por mês aqui no blog, que é pra não deixar esse meu sonho morrer.*

E por hoje, é isso! Que 2016 seja sensacional!!!

Imagem de easel and positive

sexta-feira, junho 19, 2015

Sobre manter certos segredos

Se teus olhos não me dissessem tanto,
Eu calaria meus pensamentos.

Se teus gestos não me dissessem tanto,
Eu calaria meus pensamentos.

Se teu carinho não me dissesse tanto,
Eu calaria meus pensamentos.

Eu o faria com grande prazer
(Calar meus pensamentos e beijar-te)
Mas não o faço por medo.

Amigo ou inimigo?

Amigo ou paixão?

Existe uma linha tênue entre razão e ação
Que limitam meus passos e palavras
Mas aqui sou ilimitada.

Andar até você ou limitar-me?
Andar até você e lhe dizer todas as palavras?

Sob dilemas, rezo ao álcool
Que diga as palavras que sempre poupei.
Pensado sóbrio, lhe juro.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Amar de novo é bem mais difícil do que deveria ser.

Primeiramente, devo dizer que é penoso desgostar de alguém por quem já nutriu tantos sentimentos floridos e bonitos. Eu sei, o amor não são só coisas positivas... Mas quando se está com quem deseja estar, não há dias cinzentos que não pareçam ser de sol. Existe uma lei cósmica que te impede de ver os defeitos de um companheiro enquanto ele está ao seu lado. Ele ainda é seu companheiro, mesmo após passado um tempo que ele já não está mais ao seu lado. Porque o amor enfraquece, mas não desaparece num primeiro momento. 

Assim como não brota das pedras. Tem de haver um semear, um aguar, um crescer... O amor respeita as fases de uma planta. Posso bater o olho em alguém e jurar ter me apaixonado a primeira vista, mas sabemos que é mera atração. Sabemos que essa atração pode trazer alguém pra minha casa hoje, mas sabemos também que esse alguém pode não permanecer - e por decisão minha. 

E assim como não nasce do nada, uma planta não morre do nada. Tem de haver razões externas pra que isso ocorra. Pode-se muito bem dizer que a ideia brotou dentro de si e cresceu até que e tornasse uma decisão, mas - não renegando a própria autoridade em tomar esse tipo de decisões - não se "desama" sem alguma influencia. Você pode se incomodar por N razões, mas não deixa seu amor por qualidades ausentes. Não o deixa por razões pequenas. Você simplesmente não consegue deixá-lo. 

Amar de novo depois de ter amado tanto, é de fato, difícil. 

Passamos a procurar as mesmas qualidades, o mesmo perfil físico, a banda preferida, o gosto literário... Procura-se uma cópia do antigo amor. Porém, em um momento de iluminação, se percebe que o que te fez mal uma vez - mesmo depois de fazer tão bem - tende a cair no mesmo erro novamente, mesmo sendo outro sujeito. É por isso que amar de novo é tão difícil. 

É inevitável não procurar pelo antigo amor e mesmo quando se decide não mais procurar... inconscientemente, lá está: o mesmo perfil que pode cometer o mesmo erro. 

E é por isso que tenho sido tão cautelosa nessa nova busca por um amor. É por essas e outras razões que ando bastante carente, mas não vejo necessidade de amplificar meus pensamentos ao lado de alguém que não vá me elevar. É um período de amadurecimento. Já ouvi dizerem que "namoro é pra casar" e não acreditei... mas, quem sabe?! Não no sentido literal, mas preciso de alguém que evolua comigo e que esteja disposto a crescer e construir ao meu lado. Não vou estagnar e sempre quero ir além do que possuo. 

Será então que posso dispôr de um período que me satisfaça nessa incessante busca por um parceiro? Por favor. Obrigada. 

terça-feira, março 05, 2013

palavras afogadas num eu de outrora.


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Eu amei você, depois de muito tempo sem amar ninguém, e categoricamente eu afirmo: eu amei você. E talvez ainda ame, mas agora a minha vontade é de te amar nos braços de outrem, outro que me faça te esquecer. Que beije melhor do que eu imaginei que você beijasse, que diga coisas mais bonitas do que você dizia, alguém que faça o meu dia ser melado, enquanto você só o adoçava. Eu desejo me apaixonar loucamente por outra pessoa, pra esquecer você, pra aprender a viver, pra ter um relacionamento tranqüilo, sem aquela dúzia de problemas que você me trouxe.
Eu escrevi poesia pra você. Eu dormi meses abraçada num travesseiro imaginando quando é que seria você ali, perdido nos meus braços e eu aninhada no teu peito. Caso soubessem da situação em que me encontro, chamar-me-iam de burra ou de iludida? Ou fui apenas mais uma garota boba que se apaixonou pela atenção que lhe dedicaram? Fui? Não, sou. Ainda dói. E o coração ainda palpita, saltita e se solta ao ver teu nome, mas eu ainda conseguirei adestrá-lo, ensiná-lo, reeducá-lo para agir dessa forma na presença de outra pessoa, porque você eu não quero mais, com você eu não consigo mais, machucou demais. 


(Sabes bem que és o alvo, que a bala seja certeira!) 

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

"em obras"


Sobre nós, não há nada a ser dito. 
Verdades eternas foram questionadas, 
tanto por mim quanto por você. 
Coisas valorosas perderam o sentido, 
coisas básicas viraram prioridades,
prioridades viraram castelos de areia, 
que pelo tempo foram destruídos.

Agora, uma criança inocente, chamada liberdade
aproxima-se com baldinho cheio de água azul do mar, 
e com suas suaves e gordinhas mãos, 
trata de reconstruir uma a uma as prioridades que foram destruídas,
dando forma à um imenso castelo de  areia, fortificado, protegido. 

Essa mesma criança, trás paz ao coração
e tranquilidade pra mente. 
Sensação de dever cumprido, leveza do ser. 
pureza, inconstância, mas principalmente: 
consciência limpa.  

Tô seguindo o vento, subindo com a maré, 
deixando que tudo corra como deva correr, 
porque quando forcei as coisas a acontecerem, 
nada teve um bom fim. 
Eu to tranquila, aniquilando venenos, sintetizando poções. 

Ah, e quanto a nós... nós nunca existimos. 
Foi tu aí e eu aqui. 
Distantes, mal aproximados, impossíveis. 

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

exaustão

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eu to cansada
dessas lágrimas que pesam
e que caem...
sem parar;

eu to cansada
dessa dor
que me invade
e me faz sofrer.

eu não quero
ser dominada por isso.
quero sentir novamente
paz aqui dentro.

quero que a poesia volte;
que o amor floresça;
que a leveza ressurja;
que a alegria transpareça.

eu não aguento mais
chorar sem motivo.
ou talvez, esteja cansada
de ter tanto motivo pra chorar.

to sofrendo quieta,
compartilhando com poucos.
querendo colo,
pedindo atenção.

versos estão abafados,
rimas foram destruídas,
a paz das palavras
já nem sei mais por onde anda.

a ausência tá presente,
como eu sempre digo.
e o que era pra tá presente,
tá ausente, como sempre.


(sem letras maiúsculas, com pontuação ruim, porque a gramaticalmente correta está adormecida dentro da alma)

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Devaneios autobiográficos



Por vezes, eu tinha plena consciência de que, no mundo, não poderia haver alguém mais paradoxal, mais antítese do que eu. Acredito que tudo isso se deva a minha infância e adolescência, onde tudo virava palavra, onde cada sonho virava conto, onde cada desejo virava um enredo. Não há alguém em específico para culpar. Pode ter sido minha mãe, que me alimentava em todos os sentidos, tanto real quanto imaginário, dando base literária para os meus mais absurdos devaneios, incentivando-me quando meus primeiros sonetos começaram a surgir. Posso, também, culpar meu pai por isso. Sua ausência gerara em mim certo tipo de revolta. Não aquele tipo que faz a gente querer fugir de casa, nada disso, mas aquele tipo que faz você abrir os olhos, enxergar em volta e ter um insight, notar que família não é composta por pai, mãe e você, variando, em situações, para determinado número de irmãos e animais de estimação agregados, mas sim que família, além de laços sanguíneos, necessita de laços cotidianos, de convivência. Eu culparia minha avó de forma tão grande e linda quanto culpo minha mãe. Matriarca, alimentou meus sonhos e me deu mimo, carinho,  atenção como só boas avós sabem fazer. Soube alimentar minha ilusão, fazer crescer minha imaginação, nascer em mim afeto. Agradeço aos três, mas principalmente a elas, por terem me feito essa garota iludida – no melhor dos sentidos -, criativa e apaixonada pelos estudos e pela vida, no seu mais amplo significado.
Sempre que me refiro a todo esse mistério completo que é a vida, entrelaçando os fatos e relacionando-os a mim, assombro-me. Não é como se eu tivesse vivido muito ou que eu saiba muito da vida, mas, de alguma forma que provavelmente nunca poderei compreender, ela se fez doce pra mim mesmo nos momentos onde tudo tendia a ser amargo. O Universo sempre manteve a poesia viva dentro de mim, adormecida sim, mas, ao menos, me forço a acreditar, nunca morta. Eu não sei nomear as coisas, como vocês poderão notar nas próximas orações, mas eu espero que vocês, com alma poética que também tem, possam compreender-me e decifrar-me, coisa que eu, com todos os anos já vividos, não consegui fazer.
Não há muito que ser dito, imagino, mas eu gostaria de contar estórias, trazer sentimentos à tona e lágrimas ao precipício dos olhos. Provocar emoções não é exatamente o que muitos chamariam de profissão, mas é o que tenho como lema na vida e é isso que terei de fazer, antes que pereça, Sei que muitos, ao saber desse desejo por meios não convencionais (e por isso compreenda-se, invadindo uma dimensão que é toda minha e lendo a minha mente, ora essa) devem achar-me uma tola, mas o que é que há de tão errado em querer fazer as pessoas sentirem-se compreendidas? Digam-me, em uníssono, há algo de mais belo do que poder fazer pessoas tocarem na consciência, fazê-las refletir? Certa vez, ao apresentar um trabalho de filosofia, no colegial, consegui fazer pessoas aparentemente fúteis chegarem a reflexões de um nível absolutamente diferente do normal a que estavam habituadas. Ao realizar este feito, senti-me exultante, por ter podido influenciar no crescimento espiritual, diria eu, aplicando na determinada situação, de uma pessoa que não tinha um horizonte reflexivo.
Gosto de pensar em mim como sendo uma onda. Aliás, sendo bem sincera com essas páginas que agora escrevo, confesso nunca ter pensando em mim nessa posição, mas é uma analogia que muito se encaixa comigo. Imagine uma onda e procure pensar em todas as características que podemos atribuir a ela. Uma onda bate na praia com uma força bruta, como se quisesse destruir o que lhe impede de seguir em frente. Ao mesmo tempo em que se revolta, cede à água e aceita seu destino. Aqui, aceitar não pode ser sinônimo de conformar-se, uma vez que, quando aplicada a mim, tal sinônimo não faria sentido real. Uma onda ergue-se no meio do mar, sem temer tudo o que há ao seu redor. Ela sabe, mesmo irracionalmente, que está no lugar certo, por mais que a densidade da água ao seu redor seja maior ao ponto de “sufocá-la”, ela entende que é ali que deve surgir, ali é que deve nascer. Nascer para morrer, como disse Lana Del Rey. Uma onda nasce, no seu sentido mais metafórico, com a certeza única de que irá morrer. Ela não sabe a direção que tomará, não sabe a força que terá e nem os obstáculos que encontrará no caminho, mas ainda assim, é impulsionada, impelida a ir em frente e a quebrar, por mais que essa não seja a sua vontade.
E assim somos nós também, impelidos a seguir em frente, a escolher destinos e estradas que percorreremos, muitas vezes sem nem mesmo ter alguém ao nosso lado. Temos que estar cientes a partir do momento que colocamos nossos pés no caminho por nós escolhido, que o regresso é muito mais difícil do que a partida. Quando se sai de um ponto qualquer, há na mente um pensamento de novidade, mas quando o regresso é imposto por forças maiores que nós, em sua maioria, o gosto que sentimos é amargo, é pouco – ou quase nada – saboroso.
Há momentos em que o regresso é desejado por nós, mas levando por base os que fiz, a balança pesa, em déficit, para as alegrias por eles trazidas. Não que haja uma fórmula geral e que isso se aplique a todos de forma igual, mas acredito que se levarmos em conta todas as vezes que precisamos voltar atrás, não há muitas coisas boas que possamos listar. Ao contrário disso. Vejo por mim. Sou altamente impulsiva, ajo com muita irresponsabilidade por vezes, e culpo minha impulsividade por isso. Faço coisas que, nesse momento são minha maior necessidade, mas que daqui há alguns instantes serão meus maiores arrependimentos. E nessa de correr atrás, regredir, só quebro a cara e junto dela, o coração. Sinto o que já não devia mais sentir, faço o que já não mais deveria fazer, digo o que já não mais deveria dizer.
Mas e quando vejo, já repenso. Deveria ter feito, ter dito, ter realizado. Porque se não fizesse naquela hora, faria depois, por qualquer motivo mais bobo do que o do primeiro momento. Não adianta, atitude é igual amor: Se você tiver que pensar duas vezes, já não é mais algo verdadeiro, algo válido. Podem até dizer que é normal pensar antes de falar, refletir antes de agir, mas quando faço isso – vejo por mim, pelo menos – quase nunca me torno sincera nas atitudes, e por isso, a impulsividade me domina. Há em mim um desejo de sempre ser honesta, tanto comigo quanto com o resto do mundo. Não é clichê ou mesmo achismo, é só uma real necessidade que tenho... uma característica toda a minha e que julgo ser muito positiva.
Seria injusto da minha parte, também, dizer que sempre ajo de forma impulsiva, mas é necessário ressaltar que, em sua maioria, por mais que reflita semanas, a atitude que tomo é a primeira que havia cogitado, as palavras que digo, são as primeiras que havia mentalmente escrito. Quando não acontece isso – e os casos são bem raros – sinto que fui desonesta com as pessoas e comigo mesma. Podem dizer que é muita exigência da minha parte para comigo, mas cada um escolhe o modo como vai ver a vida, certo? Eu escolhi agir dessa forma, e, na maioria das vezes, não me arrependi da escolha.
E essa, acho eu, é apenas uma das minhas particularidades. 

domingo, novembro 11, 2012

Ausências inexplicáveis

Não posso numerar quantos foram os motivos que me fizeram abandonar um sonho que há tanto busco realizar. Um lugar aos olhos dos internautas já foi tudo o que eu quis, mas agora, já não é mais um foco pra mim. Preocupei-me tanto com a estética desse blog que acabei largando as postagens em si, muito mais importantes, obviamente. Há seis meses, em média, não consigo fazer postagens de qualidade, não consigo mais dedicar meus dias ao meu passatempo preferido de adolescente. A inspiração que antes surgia ao olhar pela janela, agora necessita ser buscada em profundas horas de reflexão, o que pouco tenho feito, explicando MUITA coisa. 
Não estou desistindo, não estou abandonando, não estou largando mão... só não quero ser superficial no que escrevo. Pra quem pensa que parei (totalmente) de escrever, engana-se, mas pouco consigo concluir. Textos e mais textos acumulam-se nos "meus documentos", apenas esperando por criatividade e paixão pra serem retirados da pasta e postados, para que possam fazer companhia à vocês nas noites frias, ou nas tardes quentes, e ainda nas noites quentes e nas tardes frias. 
Eu estou entrando, oficialmente, em hiatus. Não que eu não vá fazer postagens esporádicas, nada disso, mas quero que saibam que a frequência dos posts tende a diminuir drasticamente. Por fim... sinto saudades de vocês, queridos e queridas fantasminhas que me visitam. 

Beijos enormes! :)

terça-feira, novembro 06, 2012

E do lado de cá, tô eu apaixonada (de novo)

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   Simplesmente não consigo não fazer mil injunções. Apareceste do nada e fizeste meu dia alegre, completo. Já disse que sinto falta quando a gente não se fala, né? Pois é, quando a gente se fala pouco também sinto sua falta. E quando a gente fala muito, também. Sinto que te quero mais do que posso, que te quero mais do que dá pra querer. Não que a sua ausência seja realmente presente, até porque, suas sms me deixam sempre por perto, e vice-versa. 
   Dá vontade de te colocar dentro de uma gaiolinha e te carregar pra todo lado, mas prezo pela tua liberdade, pela nossa liberdade. Prezo pelo respeito que a gente criou, pela cumplicidade que desenvolvemos. 
   Adoro o jeito como você me deixa sem palavras, e, sinta-se especial, porque eu simplesmente odeio ficar sem palavras.