terça-feira, setembro 14, 2021

Conhecer-te (24/08/21)

Você, professor. 
Eu, aluna.
Me vejo cheia de dúvidas,
questionamentos,
anseios,
curiosidade...
E você com paciência e jeito
me explica tudo e mais um pouco,
me faz compreender,
ver teu lado,
a tua ciência,
o teu método. 

Você, aluno.
Eu, professora.
Quando no meio dos nossos dias,
os meus assuntos surgem.
As cidades,
a sociedade,
o concreto armado
e o imaterial.
Do meu jeito, te mostro
parte do meu mundo
e te empresto os óculos
que guiam a minha vivência. 

Você, aluno. 
Eu, aluna. 
Porque ambos sabemos
a hora de calar e atentar,
pois conhecimento
é sempre bem vindo. 

Você, professor.
Eu, professora.
Porque ambos sabemos
a hora de falar e detalhar,
pois conhecimento 
é sempre mais real
e democrático
quando compartilhado.

Nessa vida,
ao teu lado,
eu aceito ambos os papéis.
Só não aceito 
a ignorância.

Estarmos juntos
é a prova de que quem busca,
hora ou outra,
encontra,
se encontra,
se perde,
e mais uma vez,
se compreende.

Te amar é escola,
viver ao teu lado é enriquecer
daquilo que de fato me interessa. 

Nunca tive 
tanta sede 
por conhecimento. 

Imenso (02.09.21)

Imenso
é meu carinho,
que se manifesta
nas palavras
mais doces.

Imenso
é o meu afeto
que se manifesta
no cuidado
de todos os dias.

Imenso
é o meu desejo
que se manifesta
no calor na pele
quando você chama por mim.

Imenso
é o meu orgulho
que se manifesta
sempre que tens
conquistas para contar.

Imenso
é o meu amor
que se manifesta
em cada uma das linhas
que te escrevo.

é o meu amor
que se manifesta
em cada uma das linhas
que te escrevo.

quinta-feira, julho 15, 2021

tem (29.06)

No meu peito tem
brasa,
afeto,
vontade de fazer corar. 

Na minha boca tem
sussurros guardados,
lábios molhados,
vontade de beijar. 

Nas minhas mãos tem
curiosidade,
interesse,
vontade de explorar. 

Nos meus olhos tem
leveza,
brilho,
vontade de extravasar. 

Na minha pele tem
arrepio, 
calor,
vontade de transpirar.

Na minha mente tem
sede,
desejo
vontade de contigo estar.

Terceira pessoa do plural (06.07)

Não racionalizando,
te encontro
num ponto
comum.
 
Onde eu e você
podemos sonhar
em ser apenas
um.
 
E sendo apenas um,
construímos
aquilo que paira
nos seus sonhos.
 
(Que agora também são meus)
 
Seus sonhos,
seus desejos,
seus prazeres,
seu futuro.
 
Meus sonhos,
meus desejos,
meus prazeres,
meu futuro.
 
De primeira
e segunda pessoa,
enquanto singulares.
 
Mas se um dia
assim for por bem
que venham eles...
E nosso sonho plural
assim se concretize.

quarta-feira, março 17, 2021

O mundo me tem


Meu peito
aperta
e dói
um pouquinho
por vez.

Dilata,
aumenta,
retrocede.

Vou até você.
Volto a mim.

Quero ficar,
mudar,
crescer,
ver e amar.
Outros.
E você,
mais uma vez.

Descobrir outros gostos
e sentir o teu novamente.

E partir, hora ou outra,
sem me sentir na obrigação
de voltar.

Seja pelo que for.

Noite dessas,
durmo contigo
ciente de que
vou acordar sozinha
porque o teu amor
vai ter ido embora
de mim.

E aí
serei
um pouco mais triste
e um pouco mais feliz.

Tive muito de ti.
E ainda quero muito
do mundo inteiro.

Hora dessas
me vou.
Parto do seu peito
e vou fazer poesia
em outro endereço. 

sábado, janeiro 16, 2021

silêncio (08.01)

Eu odeio o silêncio. 
Odeio porque só faz silêncio fora,
porque dentro de mim o barulho é eterno. 
Não tem um minuto de quietude. 
Nem dormindo eu me calo. 
Não silencio nem com reza. 

Eu odeio o silêncio. 
Odeio porque o silêncio nunca vem de mim,
porque pra mim a troca é fundamental
e diálogo é troca. 
Quem silencia me fere devagar e
essa é sempre uma morte lenta. 

Eu odeio o silêncio. 
Odeio o silêncio porque ele não resolve nada,
porque ele só ajuda a entorpecer. 
E de torpe, basta a inércia.
Não suporto ficar parada. 
Minha ansiedade pede por ação. 

Eu odeio o silêncio. 
Odeio o silêncio porque ele é antítese,
se ele existe, tua voz não.
Quando não te ouço
o coração se amiúda.
Não sou chegada a pequenez.

Eu odeio o silêncio. 
Odeio o silêncio porque ele me limita,
porque na ausência da voz, 
meus pensamentos são confusos.
Falar definitivamente pode não ser meu dom,
mas é melhor do que esse silêncio.


domingo, maio 24, 2020

de lua

Eu deixei meu coração 
no mundo das ideias. 

Lá, onde passarinho
canta risonho, barulhento
e sereno. 

Lá, onde borboleta
tem vôo livre e
percorre todo lugar. 

Lá, onde libélula
reflete o sol
nas asas coloridas. 

Lá, onde beija-flor
bate as asas rapidinho
e bebe do néctar. 

Eu deixei meu coração
no mundo das asas,
onde o ar é rarefeito
e costuma causar efeitos
devastadores
na minha consciência. 

Eu deixei meu coração
no mundo do fogo, 
onde o calor é pungente
e afugenta a solidão
dos dias mais frios
e das noites insones. 

Eu deixei meu coração
no mundo da terra,
onde o cheiro da chuva 
encontra abrigo
e de onde brotam
os mais eternos afetos.

Eu deixei meu coração
no mundo da água,
submerso em camadas
e correntes marítimas
que seguem seus fluxos
e direcionam a vida. 

Eu levei meu coração
ao mundo da lua,
e ali ele encontrou 
a mais perfeita residência. 
Encontrou suas emoções
e se despiu das suas certezas. 

A lua é dúvida, 
fragilidade e
leveza. 

A lua é acalento,
ternura e
vulnerabilidade. 

Na lua, me fiz mulher. 
Foi nela que meu coração
encontrou amparo.
Nos ciclos da lua,
meus amores florescem. 

Dos ciclos da lua,
sou feita. 
De lua em peixes, 
mística e intuitiva. 

"De lua", 
minha maior característica. 

sexta-feira, abril 10, 2020

essas frases são sobre ser brisa.

Leia ouvindo. Espero que faça sentido para você tanto quanto fez pra mim.  

Os ares de outono sempre me trazem algo.

Há tempos quando comecei a notar esse padrão, percebia que sempre vinha um quê de nostalgia, de ansiedade, de saudade.

Hoje, parei pra sentir... o arrepio na pele me mostrou serenidade. Paz de espirito. Completude. 

Não, eu não me findei. Sigo sendo obra inacabada, imperfeita, inconclusa. Sempre o serei. Mas... tem uma alegria aqui no fundo do meu peito me dizendo que vale a pena insistir, sorrir, alegrar, serenar.

Eu sigo respirando! Há muito já podia ter desistido. Evitaria muitas lágrimas, mas me privaria de muitos aprendizados. 

Eu sigo aprendendo, me sinto com sorte. A maioria dos meus sentimentos que julguei adormecidos, seguem comigo. Sigo colecionando memórias. Sigo causando impactos. Sigo sendo... eu mesma. Vivaz, fluída, suave. Brisa. 

Noto com prazer o céu se desfazer em tons alaranjados, rosados e arroxeados... A noite me traz o clarão da lua, que cega meus olhos para tudo o que me bloqueia. E me sinto livre. 

Abraço meus erros, abraço meus defeitos, abraço meu choro! Aprendi a abraçar e acolher para purgar. Ganhei força para carregar meu peso emocional, meu peso físico, minhas cicatrizes, minhas características, meus medos e minhas coragens. Ganhei força para assumir meus momentos insanos e insones, meus momentos extrovertidos e a quietude. Ganhei força para ser eu. 

Prometi a mim mesma, no fim do outono passado, que este ciclo seria de florescer. Eu sinto os botões brotarem, sinto o orvalho tocando a minha pele, sinto o carinho dos que cuidam das minhas mudas mas não me emudecem. 

Fiz do amargor dos dias ruins uma memória, pronta a ser consultada mas nunca explorada. 

Fiz do peito, jardim. Aprendi a cultivar. Aprendi a regar. Aprendi a esperar. 

Estou aprendendo a florescer. 

Em breve, irei florir. 

Sobre a matéria das nossas almas

"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais." (Emily Brontë, em 'O morro dos ventos uivantes')
É mais fácil ignorar a escuridão, do que abraça-la.  E eu confesso não ser tão corajosa. 
É mais fácil não pensar na tristeza, do que encarar o que entristece. Olhar a dor nos olhos. 
É mais fácil fingir plenitude, e ignorar toda a sensação de fracasso que brota do peito aos borbotões. 
Eu ignorei teu amor por anos, por sentir que tua dor era grande demais pra mim. Que teu fardo era pesado demais pra eu encarar. Que tuas feridas eram profundas demais pra mim. Eu ignorei as mesmas coisas em mim... minha dor, meu fardo, minhas feridas. 
Eu ignorei que sofri por anos e não olhei com carinho para essa dor. Eu senti uma insatisfação por todas essas centenas de dias que se passaram e não soube definir em que grau de frustração eles se encaixavam. Por não viver a vida que eu sonhei e mereci. Por não ter sido quem eu queria ser. Por ter me permitido acovardar em frente à todas as grandes mudanças que poderiam ter acontecido na minha vida. 
Eu queria ter podido ser transparente como tu és. Ter lidado com os meus lutos com coragem e ousadia, ao invés de guardar cada pequena porção de escuridão em minúsculas gavetas dentro do peito. 
Eu usei palavras boas e suaves em muitos momentos, quase que pra me fazer acreditar naquilo. Num positivismo tosco que Comte riria até que o ar lhe faltasse. Eu disfarcei minha raiva, e nas vezes que lhe permiti vazão, machuquei quem não merecia. Quando me calei, consenti para que fosse feito o que quisessem da minha vida. Eu me deixei ir por caminhos bem mais tortuosos do que deveria ter trilhado. E eu senti a dor disso tudo... no peito, calada, chorando com o rosto afundado no travesseiro em mais noites do que sou capaz de lembrar. 
Eu nunca soube como era o jeito certo de exteriorizar essa dor.
Até você aparecer e me mostrar, através da sua dor, que não é preciso guardar pra si. E, tentando curar a tua dor, eu encarei a minha. E busquei a minha cura. Olhei pra minha alma e vi pó de estrela. Vi brilho... Vi que a dor havia mantido isso intacto, a despeito da destruição. 
Eu olhei os meus anseios um a um. Percebi que o que esteve no passado, necessita ficar por lá. Que na dor, só se mexe para curar. 

terça-feira, março 24, 2020

Sobre como eu escolhi viver o amor

Eu vivi pulando de ilusão em ilusão, indo de um perfil de amor para outro, a procura de algo que eu nunca soube o que era. 
Eu sentia um vazio, uma necessidade de presença que eu nem permitia que fosse satisfeita. Ao menor sinal de bom relacionamento, já boicotava todo e qualquer contato como forma de me proteger.
De quê? 
Eu tive medo de amar. Porquê em muitos momentos, amar doeu demais. Exigiu demais, demandou emergia demais. E, vocês sabem, eu tenho um "quê" de preguiça pra tudo que demanda mais energia do que estou disposta a oferecer. 
É isso... eu não me dispus à entrega. Nunca fui chegada a decisões... e amar é decidir, cada dia, enfrentar pequenas batalhas pra permanecer. Sou volátil. Preciso renovar minhas questões e necessidades, preciso evoluir, preciso mudar... ninguém muda tão rápido assim. 
Enfrentei dificuldades para encontrar quem se dispusesse à um amor tão louco, mutável e divertido. E ao ver tanta dificuldade, simplesmente parei de procurar. 
Estagnei. Estranhei por quanto tempo eu não senti falta de ninguém... cronologicamente, tudo ficou muito relativo. E eu parei de fazer questão.
Adoeci. Por medo, frustração, desânimo, falta de amor próprio, distúrbios de imagem, ansiedade, fadiga. Mantive minha mente em cativeiro de um corpo que recusava toda e qualquer tentativa de contato físico. Repulsivo. Desagradável. 
Reconstruí uma autoestima, pedacinho por pedacinho, baseada numa nova imagem e numa nova mentalidade. Encontrei fatos novos sobre mim, conhecimentos e desejos. Eu aceitei minhas questões, aprendi com elas e me abri.
Alcei vôos no meu próprio inconsciente. Me conheci, me quis e me propus a ser melhor pra mim. 
E quando eu quis ser melhor pra mim, ansiei por alguém, pra poder dividir o sentimento que só é real quando compartilhado. Quis dividir meu riso, meu choro, minhas conquistas e meus anseios. Eu quis, depois de tempos recluso, botar meu coração pra jogo. 

domingo, março 08, 2020

sobre os amores que chegam para ficar

Cecília acreditava em destino, em estrelas, em conjunções e sinastrias... Com o passar do tempo, passou a fazer questão de ser dona do próprio futuro, respeitando os dias astralmente mais favoráveis, sim, mas tendo iniciativas que a faziam ser a pessoa que põe a vida pra girar. Talvez nem sempre pelos meios mais corretos ou convencionais, e nem sempre com ânimo e força constantes, mas sempre sem desistir do propósito principal que é ser feliz!
Numa dessas fases de carência e baixa auto-estima, Cecília comete o mesmo deslize que já havia cometido várias vezes no passado. Faz download pela milésima vez do app mais mequetrefe de encontros que roda por toda a rede. E, num filtro bem seleto de idade e região, eis que ele surge. Kalil, 25 anos, via-se pelas fotos que era alto, mas não bastasse, ele ainda declarou seus 1,84m na bio, um currículo acadêmico e profissional de dar inveja e de despertar o interesse dela logo de cara. 
Desde o principio foi muito mais do que um  "oi, tudo bem? me passa seu whats". E disso, apesar dos hiatos que ocorreram durante este ano que decorreu desde o famigerado match, pelo menos uma admiração mútua brotou.

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Sobre o por quê eu gosto de você

Eu gosto de você
inteiro 
Da ponta dos pés
a raiz dos cabelos

Eu gosto de você
pela metade
Quando voce acha
que se perdeu e 
caiu. 
Novamente. 
Mas, enfim,
serviu pra te fazer 
ver
que tu tem mais 
bem aí dentro de ti. 

Eu gosto de você 
assim
porque é quando 
vejo você crescer
internamente 
e amadurecer.

Eu gosto de você 
renascendo.
Buscando novos porquês
e se enchendo de vida

Eu gosto de você 
até quando tu 
não merece. 
Gosto porque fujo
do meu padrão 
e fico vulnerável. 

Eu gosto de você 
me falando 
que teu amor queima.
Quando nem você sabe
de fato
se queimar é bom.
Mas te ensinaram 
a amar assim. 
E agora
é como você ama.

Eu gosto de você 
porque a minha 
zona de conforto
vem abaixo
quando tu chega.

Tu desfaz meus por quês.
E me dá novas coisas
pra amar e pensar.

Eu sinto que
eu gosto de você 
mais do que devia
e exatamente quando
não poderia. 

Mas gosto. 
E fim. 

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Sobre os Grandes Sertões de nossos dias


Guimarães Rosa dizia que "o correr da vida embrulha tudo"... faz um fuzuê dentro do peito, mexe nos caminhos que tínhamos planejado seguir. E o que era pra ser pra sempre torna-se um breve instante. Uma efêmera conjugação verbal... um mero ser agora, nesse exato momento: é absolutamente tudo o que temos. E mesmo contra nossos impulsos "esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta" numa constante não linear que só o Acaso sabe definir. Uma progressão matemática cujo fator desconhecemos. E pra quê saber? Tem graça saber? Se a graça está em dar o passo pra depois ver o chão. Ousar!
Porquê "o que ela quer da gente é coragem", a vida quer o esforço, quer o suor no trabalho, quer o suspiro da audácia. Sem coragem, somos verbos sem ação. Verbos mortos... e o Verbo não pode morrer. Ir é simples... "eu vou!" é o pulo. Se pôr em movimento faz crescer.
Pra que na busca, sejamos felizes... "ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria", ser abundante, transbordar e criar memórias que nos façam gargalhar ao recordar "e ainda mais alegre na tristeza" para ter certeza de que isso também vai passar. Porque na efemeridade do que somos, nossos sentimentos são passageiros: mesmo nossas mais intensas alegrias passarão.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Se eu te dou um beijo?

Eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. 
Te dou meu mau humor matinal, meu excesso de sono e minha bipolaridade habitual. Tu faz o que quiser com isso. 
Te dou também meu mais belo verso, o melhor poema que eu puder compôr, a mais farta mesa que eu puder servir, o café mais gostoso que eu puder preparar. 
Te dou o cafuné mais demorado que tu quiser, a massagem mais relaxante que tu precisar e o colo naquele dia difícil que tu passar. 
É teu todo o meu respeito e a minha lealdade. 
Não me faço rogada do seu lado. É teu meu desejo mais quente, meu sonho mais vivaz e minha fantasia mais ousada. 
Se torna tua também minha admiração constante, minhas orações e todo meu bem-querer. 
Não minto que me amedronta tamanha entrega, mas guardar o coração nunca foi do meu feitio. 
Mergulha, que eu sou tua. 
Faz do meu peito o teu descanso, me toma como teu porto seguro, faz de mim tua morada. Vive comigo, de mim, por mim. Te inspira nos filmes bobos que gostamos e faz o dia ser leve, leva nosso amor pra qualquer lugar... Viaja comigo e em mim. Em cada curva uma nova nuance a ser descoberta, de ti e de mim. De nós. E que em nós nunca faltem laços para unir. 
Vem viver comigo que eu te dou um beijo, um abraço, um cheiro, um amasso e um pouquinho mais. Vem viver comigo que eu te carrego na alma pelo resto dos meus dias e não haverá um dia sequer que tua boca não vai cantar que é tempo de a gente se amar. 

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sobre ser amor

Muita gente fala em amar. 
Rabisca canções de amor, poesias, sonetos. 

Muita gente fala em amar. 
Compartilha frases bonitas, distribui amor em publicações, fala "i love you" até para os postes das ruas. 

Muita gente fala em amar. 
Posta foto com legenda bonita, posa ao lado dx namoradx e tem centenas de amizades. 

Pouca gente fala de amor. 
Amor no simples ato de ser: de estar disponível e presente para uma conversa, um conselho, um bom papo ou ser um ombro amigo. 

terça-feira, maio 14, 2019

Sobre o frio que aquece o meu coração



Acho hilário como a minha inspiração para escrita e o clima são inversamente proporcionais. Quanto mais frio, mais me inspiro. 
Eu vivi bons momentos em dias frios, acredito que devo atribuir a isso o quão geladas são as minhas inspirações. Vivi vários romances em momentos outonais e invernais. Os outonais foram os meus favoritos, devo confessar. E isso não é nada novidade pra quem me lê há algum tempo ou conhece a fundo minha não tão complicada forma dever o mundo. 
Eu sou romântica. Lamento! Algo brotou em mim quando ainda muito nova... Uma motivação - quase que um desejo fortuito - de viver momentos românticos (e por românticos leia-se: clichês). Eu nunca fui de contos de fadas... nunca gostei de Cinderela, Branca de Neve, e afins... Não. Me formei em romantismo clichê lendo Nicholas Sparks e assistindo Sessão da Tarde durante incrivelmente longas férias de verão nos anos 2000. 
Eu criei em mim um "tipo". De que muitas vezes, o cara certo surge no momento errado ou da maneira errada, sem parecer certo logo de cara! Afinal, não estava habituada a príncipes encantados (mesmo que O Diário da Princesa com Anne Hathaway tenha me mostrado que eles podem sim ser reais, rs), eu estava habituada a aqueles caras que fazem tudo errado mas no fim, conquistam a garota, como em 10 coisas que eu odeio em você. 
Aconteceu, simplesmente, que eu passei a não procurar o correto... Meu "tipo" eram os caras errados. Aqueles que eu poderia "consertar". Como se do meu amor pudesse nascer um grande milagre... Então, já um pouco mais ciente do mundo real e desgarrada de literatura água com açúcar, hoje vejo. 
O milagre é nascer o amor. Encontrar quem possa multiplicar esse amor. Alguém que me honre tanto a ponto de que eu não morra de vergonha em andar por aí de mãos dadas (sim, isso é um bloqueio). Alguém que sussurre idiotices no meu ouvido enquanto estamos no meio de várias outras pessoas, apenas para que eu ria... Deixando todos os outros sem jeito. Alguém que não se importe em dividir o pequeno espaço da minha cama de solteiro - vulgo "meu pequeno paraíso". Alguém que me veja com o pijama engraçado do Garfield e não julgue, muito pelo contrário, traga as suas camisetas engraçadas pra dividir o espaço nas minhas gavetas. Eu preciso de alguém real! Alguém que me auxilie a resolver algumas melequinhas que ainda nadam na minha psiquê, que me apoie a curar alguns dos meus traumas e me leve a imensas crises de riso (e, claro, não se importe com o barulho de porquinho que eu faço quando tenho uma crise de riso... E, aliás, que essa peculiaridade lhe faça rir ainda mais insanamente). Alguém tão real que precise de colo, conselho e apoio... Porquê eu não quero ter que ajudar ninguém, mas estarei ali inteira para apoiar toda e qualquer decisão. 
Eu cansei de ser sozinha... Sempre prezei o ser "una", mas faz tempo que a solidão me emplacou, arrancou o "contente" dos meus versos e me trouxe para lugares sombrios que eu jamais imaginei vivenciar. 
Foram dias difíceis.... Dias em que aprendi a valorizar os poucos sorrisos que pude ter; momentos de tanto êxtase que me levavam a poços profundos de insatisfação; uma ridícula vontade de viver uma realidade alternativa, só pra ter um escape dos meus dias. 
Acho que posso considerar toda essa sensação como passado. Somos feitos de decisões, e já há algumas semanas eu decidi ser melhor. Me machucar menos, me julgar menos, parar de me ignorar... 
Esse inverno que vem chegando, traz meu romantismo de volta, a minha nostalgia de tanto já vivido em momentos de frio como dos dias que se aproximam. A vida foi, de fato, muito intensa nos poucos amores que pude vivenciar. E eles me ensinaram muito sobre o que pedir e o que aceitar. Eu chorei muitas vezes por constatar que não era querida naquele lugar, mas tive suficiente amor para transformar minhas lágrimas em saída, em fim, enfim. E finalmente, pude enxergar o que mereço, e hoje sou muito mais criteriosa sobre o que eu aceito e muito mais flexível no que pedir. 
Eu olho para o céu todos os fins de tarde e observo o suave azul se tornar salmão, laranja vibrante e esmaecer em tons de rosa... E me imagino em um lugar bem distante daqui, admirando teu rosto no entardecer, as horas douradas ressaltando as feições suaves do teu rosto, trazendo tão grande paz pro meu coração. Completa. Plena. Puramente, acompanhada. 
Pra não sentir mais falta de caminhar ao lado de alguém, pra não ter a audácia de sonhar sozinha, pra ter minhas sementes crescendo ali por perto, correndo e vivenciando o que de melhor pudermos proporcionar. 

sábado, agosto 04, 2018

Sobre a falta que faz.

A temperatura lá fora é de 13ºC. Aqui dentro do quarto, o aquecedor faz barulho quase ronronando. É madrugada, como sempre quando me surgem às palavras...
Porém, dentro de mim, sinto frio. Sinto falta. Sinto ausência. 
É tanta coisa que não se faz presente... Falta paz, falta carinho, falta atenção, falta afeto, falta alguém que desperte tesão e me faça sorrir largamente pro mundo, mais uma vez.
Falta alguém que faça o tempo ser meramente um número, que me diga que não importa a hora, que desfaça o clima emburrado que se vê fora dessas paredes, que torne o vento uma carícia, que me eleve e faça ser sublime cada momento compartilhado. 
Falta sentimento que seja recíproco, plano que seja compartilhado, sorriso que seja multiplicado, abraço apertado, beijo molhado, carinho não contido. 
Falta paz, falta alguém que cale qualquer dúvida que eu venha a ter sobre mim, minha sanidade, meus credos, meu corpo, meus limites e minhas extravagâncias. 
Falta alguém que desnude a minha alma, e não apenas meu corpo. Buscando mais do que uma noite de calor, mas alguém que queira dividir ansiedades e medos. Falta alguém que, para além da minha roupa, queira arrancar gargalhadas, daquelas de dor a barriga de tanto rir... 
Falta tanta coisa... Falta tanto. 
Faz falta. 
Faz falta ter alguém que esteja presente em pequenos momentos, pequenas conquistas. Faz falta ter para quem mandar aquela frase romântica que encontro nos poucos livros que ando lendo. Faz falta ter para quem mandar aquela música incrível que o Spotify me apresentou. 
Faz falta ter com quem compartilhar histórias engraçadas, de rir das noitadas que a vizinha tem. 
Faz falta ter com quem implicar porque o cabelo está muito comprido ou desgrenhado, porque a barba está precisando ser aparada, ou a unha precisando ser cortada. 
Faz falta cuidar de alguém, ter com quem se importar.... Aquele "tá tudo bem com você?" logo cedo... E poder responder que só um abraço curaria essa tristeza. 
Faz falta ser mulher ao lado de alguém, ser desejada, querida, ser de alguém. 
Faz falta... E ainda há de fazer por um tempo. 
Porquê antes de tudo, é preciso aprender a não sentir tanta falta de uma segunda pessoa, e aprender a suprir a própria ausência. Se amar. Ser una. 
Ser menina, ser moça e ser mulher. Saber ser! Ser boa para si para saber ser boa para alguém e parar de machucar os corações alheios. 

quinta-feira, julho 19, 2018

Sobre os imprevistos no amar

Queria tanto poder chegar aqui e escrever um conto enorme sobre como o amor é incrível, sobre como as pessoas se reencontram em seus amados, sobre como é divertido conquistar e cuidar de alguém para que permaneça ao seu lado... 
Mas, ultimamente, não tenho tido tais experiências. 
Venho aqui recordando, saudosamente, os meados de 2013 e 2014, onde de tanto amar ou de tanto querer amar, eu transbordava boas palavras que se transcreviam em histórias incríveis. 
Hoje, eu chego aqui com mais desejos, mais anseios... e não sei até que ponto isso é bom. 
Criei algumas expectativas e idealizações no que diz respeito ao "amar" e não me vejo mais agindo da forma como fazia há 4 anos atrás... Não me vejo correndo atrás de qualquer fiapo de afeto. Isso é bom? Pode-se considerar que sim. Aprendi a valorizar o meu amor e o meu amado, de certo modo. Aprendi que toda essa intensidade que eu tenho o prazer de viver, que esse sentimentalismo clichê que me habita, não deve ser destinado a qualquer um. Mas, o tão esperado "um" hesita em dar as caras. 
No início do outono aqui no hemisfério sul, pensei ter sido agraciada por alguém que poderia me acompanhar numa jornada incrível e acabei descobrindo nele apenas um reflexo das minhas piores partes. Alguém que ilude, que demonstra conhecimento para despertar inveja, alguém que estende a mão e a retira tão rápido quanto decidiu oferecê-la, alguém que encanta por prazer e não por gentileza, alguém que me fez querer e depois fugiu. 
Vejo isso de uma forma muito crua, agora... quiçá nua. Num pleno ato de despir minha alma de todos os meus pudores, bater no peito e assumir todas as minhas fraquezas: eu sou uma babaca. 
Babaca no nível de desperdiçar afeto e carinho de quem realmente quis me dedicar tais bons sentimentos. Babaca no nível de acreditar que era superior ao que queriam me oferecer. Babaca no nível de só perceber toda essa confusão agora, depois de sonhar com o bendito que me fez sentir pterodáctilos do estômago para depois extingui-los tão breve quanto nasceram. 
Talvez, esta seja a mais pura definição e aplicação do nosso tão conhecido Karma e que eu precise vivenciar disso para aprender mais sobre como amar e ser amada. Talvez seja só o destino me mostrando que eu não preciso de babacas assim vivendo perto de mim. 
E, seria muito mais plausível, que fosse só a minha carência falando mais alto e me mostrando o quanto eu preciso, urgentemente, de um amor pra chamar de meu. 

quinta-feira, abril 19, 2018

Sobre meu jeito de amar

é engraçado escrever algo do gênero aqui.
e é engraçado que eu sinta essa vontade absurda de abrir mão da minha tão querida boa redação padrão e escrever aqui assim... como se fosse um diário mesmo.
porque, ao meu ver, é o que isso se transformou.
e, analisando tudo o que já escrevi por aqui, dá pra saber que eu amo de jeitos bem aleatórios.
a bola da vez, entretanto, é: sintonia, carinho, atenção.
um combo mágico que, se bem executado, gera borboletas no estômago, sorrisos bobos no decorrer do dia, um papo mágico e uma paixão de minuto. (que, se cultivada, tem muito potencial para ser amor).
e aí, me pego pensando se: as pessoas não querem amar? não querem atenção? não me querem?
tantas injunções e nenhuma resposta.
eu quebro continuamente as minhas promessas em prol de bons momentos e acabo aqui, ansiosa, lamurienta e com a gastrite a toda.
sim, essa sou eu. eu sou intensa! eu quero viver, amar, sorrir, dar atenção, ter atenção, ser feliz e ter prazer, tudo ao mesmo tempo e em um fôlego só.
é errado amar assim?
é errado querer tudo pra ontem? querer que as coisas sejam resolvidas por decreto, como na sugestão de Leminski?
novamente, tantas injunções e tão poucas respostas.
minha mente começa a fazer barulho demais e eu não vejo um meio de calá-la.
e continuo, em meio a todo esse barulho, querendo mais intensidade, mais força e mais entrega.
é difícil se entregar?
eu não sei fazer de outro jeito.
me perdoa.

sábado, março 24, 2018

Sobre o fim de certos ciclos

passava das três da manhã quando o visor do celular se iluminou e logo o aparelho começou a vibrar.
tinha teu nome na tela. teu nome e o emoji que caracterizava e tornava teu contato especial.
diferente.
eu ignorei.
passados apenas alguns segundos, o aparelho voltou a se iluminar e a vibrar.
novamente, eu ignorei.
estava me tornando cada vez melhor em ignorar tua existência e tua presença na minha vida.
eu nunca soube qual era o motivo daquelas ligações na madrugada.
nunca soube pois perdi o interesse em te perguntar ou em tentar descobrir que fim tínhamos levado.
não teve fim;
porque não teve começo.
mas teve sentimento. teve o "dito pelo não dito". teve paz e abrigo.
só não teve consideração, respeito, amor.
não o suficiente.
e foi por isso que deixou de ser, tão breve quanto pôde.
foi  por isso que meu coração escolheu não te amar mais. te deixar livre pra viver teu mundo e aproveitar de quantas pessoas tu bem quisesse.
e para que eu pudesse viver também.
não fui nobre e altruísta nessa decisão.
hoje, me importo mais comigo do que contigo.
me importo mais com o meu bem estar do que com o seu, coisa que deveria ter feito meses atrás.
mas só hoje, semanas depois do nosso ultimo encontro (o derradeiro desencontro) é que me permito dizer isso aqui.
hoje eu  me permito dizer "estar livre" de ti. te entender enquanto amigo, apenas. conhecido, eu diria.
um que passou por mim e não mereceu ficar, como eu andei dizendo por aí.
você não mereceu ficar e sabes muito bem o por quê.

agradeço pelos sorrisos e pelos risos, mas é aqui que terminamos essa história.
é aqui que coloco este livro na prateleira, sem nenhum marca página e com a lombada voltada para trás, para não cair em nenhum tipo de tentação e voltar a lê-lo.
tais palavras mais feriram do que curaram. salgaram-me a face com as lágrimas. entristeceram meu sorriso, sempre tão vibrante.
tais palavras farão para sempre parte da minha história. no passado.
mas, agora, "ou tem o hoje, ou tem o amanhã, o ontem não é uma possibilidade".

adeus.



(e é assim, com uma métrica totalmente diferente de tudo o que estou habituada a escrever, que publico esta postagem. breve, densa, e real. aqui, findou um amor. aqui, findaram três anos de tentativas. aqui, uma parte da autora morre para dar espaço à um novo alguém.)

seja bem vindo, meu amado outono! que sempre possas trazer minhas palavras e minhas inspirações em teus ventos. ♥