Leia ouvindo. Espero que faça sentido para você tanto quanto fez pra mim.
Os ares de outono sempre me trazem algo.
Há tempos quando comecei a notar esse padrão, percebia que sempre vinha um quê de nostalgia, de ansiedade, de saudade.
Hoje, parei pra sentir... o arrepio na pele me mostrou serenidade. Paz de espirito. Completude.
Não, eu não me findei. Sigo sendo obra inacabada, imperfeita, inconclusa. Sempre o serei. Mas... tem uma alegria aqui no fundo do meu peito me dizendo que vale a pena insistir, sorrir, alegrar, serenar.
Eu sigo respirando! Há muito já podia ter desistido. Evitaria muitas lágrimas, mas me privaria de muitos aprendizados.
Eu sigo aprendendo, me sinto com sorte. A maioria dos meus sentimentos que julguei adormecidos, seguem comigo. Sigo colecionando memórias. Sigo causando impactos. Sigo sendo... eu mesma. Vivaz, fluída, suave. Brisa.
Noto com prazer o céu se desfazer em tons alaranjados, rosados e arroxeados... A noite me traz o clarão da lua, que cega meus olhos para tudo o que me bloqueia. E me sinto livre.
Abraço meus erros, abraço meus defeitos, abraço meu choro! Aprendi a abraçar e acolher para purgar. Ganhei força para carregar meu peso emocional, meu peso físico, minhas cicatrizes, minhas características, meus medos e minhas coragens. Ganhei força para assumir meus momentos insanos e insones, meus momentos extrovertidos e a quietude. Ganhei força para ser eu.
Prometi a mim mesma, no fim do outono passado, que este ciclo seria de florescer. Eu sinto os botões brotarem, sinto o orvalho tocando a minha pele, sinto o carinho dos que cuidam das minhas mudas mas não me emudecem.
Fiz do amargor dos dias ruins uma memória, pronta a ser consultada mas nunca explorada.
Fiz do peito, jardim. Aprendi a cultivar. Aprendi a regar. Aprendi a esperar.
Estou aprendendo a florescer.
Em breve, irei florir.