domingo, outubro 09, 2011
Comunicado importante.
Ok, com esse título parece que eu vou fazer uma propaganda do tipo "Casas Bahia, amanhã 50% de desconto", mas não. Só estou avisando que o blog vai ficar meio desconfigurado hoje, porque estará passando por mudanças. Espero que compreendam. Muito muitos beijos!
sábado, outubro 08, 2011
Um conto sobre períodos de tempo.
Torrencial não descreve totalmente o estado de espírito da chuva que batia em minha janela. Os relâmpagos eram tão fortes e sequenciais que, caso não tivesse certeza de tê-lo desligado, verificaria meu abajur. Havia sido um dia complicado. Desde que ele partira, os dias eram complicados. E ele partira há bastante tempo. Eu já era quase boa em controlar dias complicados. A ausência era presente, se é que isso é possível. Meu quarto assumia um ar fantasmagórico quando as tempestades aconteciam, ele se tornava sombriamente assustador, Até mais do que minha alma estava se tornando. Não tê-lo ao meu lado só tornava tudo isso pior. Costumávamos rir em meio aos trovões. Ele dizia que os risos afastavam todo e qualquer medo que se aproximasse de nós. Eu ria e esquecia de todo o resto. A salvação da minha noite era essa e eu tinha absurda noção disso. Cada célula do meu corpo sabia que a melhor à ser feita, era discar aquele velho e conhecido número de celular. Se ele atenderia ou não, era o que me preocupava.
Olhei para o criado mudo, o celular jazia tranquilo sobre um velho trilho de crochê. Uma foto de infância estava totalmente visível, mesmo com todas as luzes apagadas. Observei-a. Eu, uma linda menininha de cabelos longos e escuros, trabalhados em uma bela trança, provavelmente tecida por minha avó, habilidosa como ninguém quando o assunto eram trabalhos manuais. Pobre vovó, se fora e eu nem pude agradecê-la por todos os momentos maravilhosos que passamos juntas.
Em meio a minha pequena distração, minha música preferida começa a ecoar pelo ambiente. Regina Spektor cantava The Call à plenos pulmões. A calmaria trazida pela melodia se infiltrou em mim, mas logo o medo, acompanhado pelo discernimento do que aquele som implicava, tomou conta de todo o meu ser. The call era o toque especial das chamadas que provinham do celular dele. Meus neurônios organizaram uma breve linha de pensamento: Se essa música está tocando, é porque ele está ligando. Peguei o celular e observei-o, aguardando um segundo até que a minha visão se adaptasse à intensa luz que fluía da tela. Seu nome saltou-me aos olhos. Eu não precisava ter olhado para ter absoluta certeza do remetente dessa chamada.
Entre um clarão e o próximo, o telefone ficou mudo, de repente.
"Ele desligou. Não queria falar comigo, de verdade. Só queria imaginar o quão feliz eu ficaria por vê-lo ligando durante uma tempestade, o que significava que eu estaria morrendo de medo."
Novamente, The call inunda o quarto de modo pleno e absoluto.
"Não era verdade, ele realmente quer falar comigo." Tive de lembrar à mim mesma, de súbito. "Não crie expectativas. Ele foi embora, você sabe disso. Não pode iludir-se que vocês foram feitos um para o outro, porque simplesmente não foram." Regina já estava quase no refrão, o que significava que, dentro de alguns segundos, a chamada seria encaminhada para a caixa postal.
- Alô? - Tentei parecer o mais controlada quanto pude, mas ao abrir os lábios eu soube que não havia sido o suficiente.
- Atrapalho? - O mistério, como sempre, estava presente em sua voz. Seu tom sutil, demonstrando um interesse repentino pelo que eu estaria fazendo. Recordei-me, por um breve instante, do brilho que seus olhos emanavam na última ocasião em que havíamos nos visto. Olhos numa tonalidade absurda de mel, um tom que jamais seria encontrado em qualquer outro par de olhos. Uma cor que só se encaixava bem em sua pele radiante.
- Atrapalharia o que? Por favor, Benjamin, não há nada para atrapalhar. - A raiva transpareceu. Era o último sentimento que eu esperava demonstrar, mas lá no fundo, eu sabia que sentia uma raiva qualquer por ele.
Olhei para o criado mudo, o celular jazia tranquilo sobre um velho trilho de crochê. Uma foto de infância estava totalmente visível, mesmo com todas as luzes apagadas. Observei-a. Eu, uma linda menininha de cabelos longos e escuros, trabalhados em uma bela trança, provavelmente tecida por minha avó, habilidosa como ninguém quando o assunto eram trabalhos manuais. Pobre vovó, se fora e eu nem pude agradecê-la por todos os momentos maravilhosos que passamos juntas.
Em meio a minha pequena distração, minha música preferida começa a ecoar pelo ambiente. Regina Spektor cantava The Call à plenos pulmões. A calmaria trazida pela melodia se infiltrou em mim, mas logo o medo, acompanhado pelo discernimento do que aquele som implicava, tomou conta de todo o meu ser. The call era o toque especial das chamadas que provinham do celular dele. Meus neurônios organizaram uma breve linha de pensamento: Se essa música está tocando, é porque ele está ligando. Peguei o celular e observei-o, aguardando um segundo até que a minha visão se adaptasse à intensa luz que fluía da tela. Seu nome saltou-me aos olhos. Eu não precisava ter olhado para ter absoluta certeza do remetente dessa chamada.
Entre um clarão e o próximo, o telefone ficou mudo, de repente.
"Ele desligou. Não queria falar comigo, de verdade. Só queria imaginar o quão feliz eu ficaria por vê-lo ligando durante uma tempestade, o que significava que eu estaria morrendo de medo."
Novamente, The call inunda o quarto de modo pleno e absoluto.
"Não era verdade, ele realmente quer falar comigo." Tive de lembrar à mim mesma, de súbito. "Não crie expectativas. Ele foi embora, você sabe disso. Não pode iludir-se que vocês foram feitos um para o outro, porque simplesmente não foram." Regina já estava quase no refrão, o que significava que, dentro de alguns segundos, a chamada seria encaminhada para a caixa postal.
- Alô? - Tentei parecer o mais controlada quanto pude, mas ao abrir os lábios eu soube que não havia sido o suficiente.
- Atrapalho? - O mistério, como sempre, estava presente em sua voz. Seu tom sutil, demonstrando um interesse repentino pelo que eu estaria fazendo. Recordei-me, por um breve instante, do brilho que seus olhos emanavam na última ocasião em que havíamos nos visto. Olhos numa tonalidade absurda de mel, um tom que jamais seria encontrado em qualquer outro par de olhos. Uma cor que só se encaixava bem em sua pele radiante.
- Atrapalharia o que? Por favor, Benjamin, não há nada para atrapalhar. - A raiva transpareceu. Era o último sentimento que eu esperava demonstrar, mas lá no fundo, eu sabia que sentia uma raiva qualquer por ele.
Os sorrisos que estão escondidos aqui:
Contos mal contados,
JustLove,
Raíssa,
TXT
Dia desses...

Dia desses, ainda te digo umas verdades. Dia desses, ainda te imponho umas condições. Dia desses, ainda te dou um gelo. Dia desses, ainda te desculpo. Dia desses, te esqueço. Dia desses, me desapaixono. Acho que um dia desses, eu decido o que vou fazer com relação à nós. Ou apenas à mim. Até lá, tenho tempo.
Os sorrisos que estão escondidos aqui:
Devaneios,
Inspire,
JustLove,
Raíssa,
Sentimentos
“
- Eu gostaria de poder matar essa escritora que reside dentro de você.
- Não é possível.
- Por que não?
- Ela é igual à uma fênix - renasce das minhas cinzas.
- Não é possível.
- Por que não?
- Ela é igual à uma fênix - renasce das minhas cinzas.
— Ana F (salt-waterroom)
Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura
Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Os sorrisos que estão escondidos aqui:
JustLove,
Raíssa,
Sentimentos,
TXT
Reconhecendo bons textos
Esse texto não é meu, mas me encantou! *-* Vem daqui

- E quem mais poderia ser, à uma hora dessas? Que eu me lembre, a única louca o suficiente para me ligar de madrugada, é você. – tua risada. Sempre a mesma sonoridade calma que me fazia pensar que nada no mundo poderia dar errado. Sempre me lembra as tardes de domingo, as comédias românticas que me faziam chorar. Tua risada me lembra minha ingenuidade, a perda da minha inocência. Tanta graça desperdiçada, tantos começos perdidos. Me desculpa por ter tido voz.

Não me esqueça.
Ouço o sino da catedral bater meia noite, e espero. As lembranças chegam devagar, tomando conta da minha mente bem de mansinho. Hoje não é nenhuma data marcante, nenhum dia além de qualquer outro, onde a lembrança de nós dois ameaça me dominar por inteira. Eu não preciso de dias marcados para lembrar de você, de um horário para chorar. Só é de vez em quando, que essa minha saudade aperta no peito, e a vontade de te ligar predomina na minha mente. Sem avisar ou mandar um bilhete prévio, a vontade de você se avança pelo meu corpo inteiro – desde o dedão do pé pintado de vermelho, até a última californiana dos meus cabelos. E o telefone está tão perto… Por Deus, porque ainda não o joguei pela janela? Eu devia saber que nunca seria capaz de resistir ao ímpeto de ouvir tua voz, de te falar todas as coisas bobas que sempre acabam saindo quando escuto tua risada, de preencher esse estranho vazio que se forma no meu interior. Me desculpa pelos exageros de poeta.
Escuto a discagem do celular começar a ecoar na minha mente. Tantas vezes já escutei esse mesmo barulho, e em nenhuma delas lembro de ter tido tanto medo do depois. E se você desligasse na minha cara? E se atendesse? O que dizer? É tanta coisa que eu tenho pra te falar que, sinceramente, não sei se vale à pena. Não sei se devo perder meu tempo tentando consertar nós dois porque, talvez, já não tenhamos mais jeito. Acho que já nos perdemos tanto em meio a essa confusão que nossos caminhos ficaram inacessíveis. Minha mente – ou, pelo menos, a parte racional dela – sabe que é uma grande loucura estar te ligando. E por meio segundo essa parte racional toma controle, e meu dedo pousa sobre o botão vermelho, até que… Me desculpa pelos sermões.
- Demorou para ligar – a tua voz risonha não mudou nada. Nunca muda, pra ser sincera. Sempre esse mesmo tom de deboche, esse sarcasmo irritante que sempre teve o poder de me enlouquecer. Sinto minhas pernas tremerem e me sento na cama. Fico quase um minuto muda, na espera de encontrar minha voz. Por que, Deus, porque eu fui fraca? Estava quase me esquecendo desse efeito que você tem sobre mim. Quase lá, quase…
- Como sabia que era eu?
Silêncio.
- Talvez alguma das tuas novas amigas… Vai ver encontrou alguma parecida comigo. – Menos engraçada, mais bonita, menos louca, menos obsessiva. Mais graciosa, menos fria, mais carinhosa. Mas parecida, talvez.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
A linha fica quase muda, e eu só sei que ainda está aí, por conta da tua respiração. Está mais acelerada, embora não tão descompassada como a minha. Eu arquejo, não mais respiro. Me desculpa por reagir tão rápido à você.
- Ana…
As lágrimas chegam nos meus olhos. Respira fundo, não chora, não banca a garotinha, por favor. Coragem, menina, coragem.
- Por favor, não faz isso comigo.
Tarde demais, meu estômago já se embrulhou e meu coração deu mil saltos e pulos e voltas, só pela menção do meu nome nos teus lábios. A lembrança dos momentos de paixão, quando chamavas por mim, gritavas meu nome, arquejavas essas três letras. A tua voz me sendo sussurrada no ouvido, mesmo que por um celular, me assalta e me leva todo o pouco orgulho que me havia restado. Me desculpa por ter me entregado tão facilmente.
- Não fazer isso o quê? Te chamar pelo teu nome? Não brinca comigo dessa maneira, porra. Você me liga e depois diz pra não fazer “isso” contigo. Isso o que, Ana?
Sempre a mesma voz rouca que foi capaz de me enlouquecer. Sempre aquele mesmo pedido escondido para que eu me tornasse tua. Porque sempre me provoca, amor? Porque sempre me transforma nessa manteiga derretida? Tão mais fácil seria me destruir, me transformar em pó. Mas não. Você insiste em fazer teu trabalho só pela metade. Me deixa ser metade-poeira-metade-calor. Sempre nessa espécie de meia vida. Por que você não acaba comigo, amor? Me desculpa por ser tão fraca.
- Isso. Essa mania de falar meu nome devagar, colocando a sílaba tônica no lugar errado. Essa mania de ser errado sempre. Não me convoca, não me chama. Conversa comigo como se fosse outro alguém, por favor. Me menospreza. Mas não me chama pelo nome, não me faz ficar feliz por ter ligado.
Silêncio.
- Então porque me ligou?
Então porque te liguei?
- Não sei, precisava ouvir tua voz. Saber se você está bem, se aquela loira sem sal está te fazendo feliz. Não sei qual é a loira sem sal da vez, mas me contaram que, depois de mim, nunca houve outra morena. Só loiras sem cérebro.
Falo baixinho e rápido na esperança de que você não tenha entendido nada e não tenha notado a minha crise existencial deslocada. Você sempre odiou loiras, o que foi que te aconteceu? Você sempre odiou garotas sem cérebro, porque mudou de repente? Você teve essa vontade repentina de mostrar ao mundo como já havia me esquecido, e a cada manhã acordava em uma cama diferente. Todas loiras, nenhuma morena. Porque isso, por quê? Me desculpa pelas ligações desesperadas.
- É mais fácil, só isso.
Silêncio.
- Não entendi.
- Por que deveria?
- Não sei. Mas também não sei por que liguei, então, espero que valha a pena. E aí, elas tem te feito feliz? Porque desistiu das morenas?
- Me lembram você.
Silêncio.
- E as outras, não lembram?
- Só quando eu fecho os olhos.
A chuva começa a cair devagar, como se não quisesse ser notada. Pela rua, tantos corações podem estar sendo partidos nesse exato momento. Como o meu. E não deveria haver alguém, aí fora, pronto para me abrigar em seu peito e cantar enquanto durmo? Não deveria haver outro coração partido para desfazer os teus erros? Provavelmente, há. Mas não tenho forças de desligar o telefone e sair para procurá-lo. Você reclama tanto que eu falo por códigos, e olhe isso – eu ainda estou sentada, tentando ler tuas entrelinhas. Me desculpa por ter posto açúcar demais no teu café.
- Ainda ta aí?
- Tô sim.
- E não vai falar nada?
- Não tem mais o que falar.
Era isso que eu precisava ouvir – que você ainda lembra-se de mim. Só isso, e a minha ligação desesperada já valeu a pena. Eu precisava da certeza de que não havias encontrado alguém que te fosse melhor do que eu, que te fizesse um bem maior. Não quero te ver sofrendo, nem de perto. Quero que sejas feliz, juro com todo meu coração. Mas não com outra pessoa. Sozinho, que seja. Quero que sorrias ao ver tua imagem no espelho, mas não olhando para a foto de outra garota. A gente nasceu para ser, e não foi. Por vaidade do destino, por descuido nosso – não sei. Mas não te quero sonhando acordado por um rosto que não seja o meu. Mesmo que não te queira do meu lado, mesmo que te queira a quilômetros de mim. Não quero imaginar outro alguém te fazendo rir da piada sem graça do cavalo, ou te vendo acordar de mau humor e bagunçando teu cabelo despenteado. Essa sou eu, e ninguém mais pode ocupar meu lugar. Por isso, eu precisava ter certeza de que ainda lembravas de mim. Me desculpa por ter cochilado no teu filme favorito.
Silêncio.
- E se eu tivesse te pego pelo braço quando me dissestes que ia partir?
- Eu teria ficado.
- E agora?
- Já é tarde demais.
- Talvez seja cedo, quem sabe a gente ainda não se cruza por aí.
- Duvido muito.
- Então, por que me ligou?
Porque te liguei?
- Você sabe que dia é hoje? – pergunto baixinho.
- Não. Que dia é hoje?
Claro que não, ninguém mais sabe além de mim. Eu escondi essa data a semana inteira, na esperança de que estivesse dormindo, quando ela finalmente chegasse. Faz 1 ano. Exatamente um ano desde a primeira vez que te vi com outros olhos. Desde a primeira vez que cheguei em casa e disse para o espelho: “É ele!” O último da minha lista infinita de decepções. Aquele que encerraria a minha trágica trajetória em busca do amor. Aquele que teria o maior colo do mundo, o peito mais confortável, o cheiro mais delicioso. Faz um ano que planejo nossa vida. Faz um ano que minha inspiração começou. Afinal, como já disse, a dor nos inspira.
Era pra doer tanto?
Me desculpa pela ausência.
- Feliz aniversário, meu amor. – sussurro devagar, quieta. Mantenho o tom baixo pensando que, talvez, você não repare nessa minha loucura romântica. Falo rápido para que você não entenda. Mas disse o que precisava. O que estava entalado na garganta. Não quero ouvir tua resposta, não quero pensar no que poderia ter sido.
Então, desligo.
A ligação caiu. Eu caí junto.
Me desculpa pelo silêncio
Os sorrisos que estão escondidos aqui:
Ausência tua,
JustLove,
TXT
sexta-feira, outubro 07, 2011
Para registrar...
O poema que postei ontem [dois posts abaixo], e que participou da 56ª Edição de Poemas do Projeto Bloínques tirou 2º lugar.
Segundo a resenhista:
Apenas pra registrar isso e mandar sinal de fumaça.
Muitos beijos.
Segundo a resenhista:
2º lugar: #Smile! – 9,82 Um poema sentimental, onde vi com clareza tais sentimentos pulsando entre as estrofes e rimas. Só senti falta da pontuação em certos lugares, mas nada muito grave. Parabéns pelo belíssimo poema!
Apenas pra registrar isso e mandar sinal de fumaça.Muitos beijos.
Os sorrisos que estão escondidos aqui:
Projeto Bloínquês,
Raíssa
